2008/08/03

Estou de saída





Agora estou no http://zacariasdamata.blogspot.com/



Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 19:40:36 | Link permanente | Comments (0) |

2007/12/09

Fotografia dos anos 50

Isto de digitalizar livros antigos tem que se lhe diga...

Estive quase a desistir mas, como o prometido é devido, aqui ficam algumas das fotos minhas favoritas de entre aquelas que o estado fraquinho dos dois livros da "Rollei Annual" que possuo do início da década de 50 me permitiu digitalizar...



Fica desde já prometido trazer-vos próximamente imagens da 2ª metade da década, na minha opinião, já mais próximas técnicamente (e não só) daquilo que se faz hoje...

Até breve

Perafita, 9 de Dezembro de 2007

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Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 19:58:51 | Link permanente | Comments (1) |

2007/06/23

Garranos

 

Um cavalo que vêm do passado

...Os garranos são cavalos pequenos, descendentes dos cavalos representados nos desenhos existentes nas caves de Lascaux e Altamira. Provêm assim duma raça muito antiga presente no território português desde a pré história, como se pode ver nas pinturas da era Paleolítica... (in www.equisport.pt )

 

 

Hoje, sem nos alongarmos, vamos dar lugar de imediato ao poeta e amigo, Pedro Vasconcelos, que escreveu sobre esta raça que nos acompanhou desde sempre neste canto recôndito da Europa e do Mundo, e que partilhou todas as nossas venturas e desventuras, aquém e além-mar... Talvez sem a beleza do cavalo Lusitano, iguala-o no entanto em nobreza...

 

 

Se ser Nobre é ter
  Puro sangue nas veias
  Ou terra para correr

  É Nobre também quem pode sentir
  O vento afagar-lhe os cabelos
  Ou a liberdade de poder partir

  Nos olhos de um Garrano nasceu o Homem
  E na sua velha crista correu a história do tempo
  Nos seus cascos o sangue de guerras e conquistas
  Na sua pele a velha serra onde encontra o seu alento

  Pedro Vasconcelos





  2 poemas haiku


  Um cavalo ergue-se
  No cume do monte selvagem
  O tempo pára


  Ao longe
  Um cavalo selvagem
  O vento na sua crista

Pedro Vasconcelos

O Pedro é um colega meu, da Banca, que opera na complicada área da recuperação de crédito. Dedica-se nos seus tempos livres à escrita. É, na minha opinião, um artista e de quem, seguramente, se há-de ouvir falar... Obrigado Pedro pela tua participação.

 

(as fotos são minhas, todas tiradas no habitat do garrano)

Perafita, 23 de Junho de 2007

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Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 13:03:17 | Link permanente | Comments (4) |

2007/06/12

Eterno

Gosto de macro!

Bem sei que o que se interpreta como a "grande macro" é aquela fotografia do bicho perfeitamente congelado, de preferência sem desfoques e com um daqueles títulos latinos muito pomposos e complicados...

Às vezes quase que dá a impressão que o bicho teve que estar primeiro no frigorífico antes de ser fotografado numa sessão de estúdio... Ora, o melhor que conheço a este nível, porém, nem sempre é a fotografia 100% focada e isenta de movimentos...

... como em toda a Fotografia, também na macro tem que lá haver qualquer coisa mais, têm que ter luz e alma para que a imagem possa ascender ao estatuto de Fotografia (com "F" grande)...

E agora a estorinha sobre a foto que hoje se apresenta, com aqueles condimentos técnicos que - eu sei - a malta gosta:

Já eram nove horas da tardinha e o jantar esperava-me. Regressava para casa em passo acelerado embora ainda atento às plantas que grassam nas bermas do meu conhecido caminho de volta, na esperança de encontrar uma oportunidade de um último disparo que salvasse a sessão de fotografia daquele fim de tarde.

Do bicho que agora apresento, pouco mais sei que têm apenas uns milimetros e que olhava para sudoeste. Nem sei como é que o vi...

Com a luz já tão fraca, cautelarmente, sem perder tempo, aumentei a sensibilidade para 400 ISO, escancarei o diafragma da minha Sigma 150 macro e coloquei-me em posição de quase contra-luz.

Foi neste momento que ao focar pela primeira vez me apercebi que havia ali algo de intangível, quase irreal... Naqueles segundos que demoraram os 7 disparos a que recorri para conseguir um fotograma técnicamente comestível, i.e., que não estivesse totalmente desfocado ou tremido, ocorreu-me subitamente uma conversa tida há dias com os meus amigos fotógrafos Zé Marafona e Ricardo Araújo sobre o tempo. Foi apenas um "flash" mas voltou-se-me a pôr essa eterna questão, debatida até à exaustão por artistas e cientistas, sobre a relatividade do tempo.

... Como que ficou claro para mim ao ver o bicho naquela posição e com aquela luz que se pode viver uma eternidade num minuto...

Depois foi chegar a casa, aceitar o habitual sermão da Fernanda, minha companheira de sempre, por me ter atrasado para jantar. Ela não me vai perdoar por eu dizer isto, mas quase que não a ouvia de tão ansioso estar por me sentar à frente do computador para ver o que tinha feito... E o que fiz parece-me bem, confirmando a intuição no momento do disparo, como aliás já tinha acontecido noutra meia dúzia das minhas fotos que mais gosto,  que se conseguisse algo mínimamente focado e não demasiadamente tremido, então teria feito uma fotografia. Aos meus olhos, pelo meu gosto e pela minha sensibilidade, pelo que a imagem me diz, acho que consegui uma Fotografia. 

Porque eu sei que alguns dos fotógrafos mais novos gostam de saber um pouco mais, devo dizer que a edição foi feita quase exclusivamente  com o "revelador raw". Aumentei ligeiramente os valores do "Shadow contrast", "Hilight contrast" e saturação de cor e utilizei a ferramenta de redução de "hot pixel", necessária quando se utiliza valores de ISO alto e condições de luz débeis.

A fotografia foi feita ontem  e resolvi mostrá-la quase em primeira mão ao meu amigo, colega, escritor e irmão de fotógrafo, Pedro Vasconcelos, que partilhando comigo a ideia de que havia ali algo, resolveu presentear-me com este poema que acho delicioso... Gostei tanto desta parceria que - assim o Pedro o queira - a retomaremos brevemente...

Ora vejam e ouçam esta canção do Eterno... 

 

 

 

Eterno,

O que não teve princípio e não há-de ter fim
  O que dura para sempre sendo o sempre o que dura em mim
  O que está fora do tempo e fora do devir
  O que foge no horizonte e nunca torna a vir.

  E o que é inalterável; enorme; desmedido e afamado?
  Também esse poderá ser o seu significado?

  O imortal e Pai Eterno ou Deus, Morte e sono enfermo
  Todo o espaço nunca medido entre céu, terra e inferno
  Ou toda a dor contida no luto de um coração materno
  Tudo isto é amor. Tudo isto é eterno.

 

 

Sobre o Dr. Pedro Vasconcelos e a sua escrita falaremos um pouco mais num outro artigo ainda em preparação, que envolve, como se espera num blog como este, fotografia.

 

 

 

Agradecendo toda a receptividade que o público em geral e os meus amigos em particular tem tido aos meus humildes artigos (receptividade que muito me envaidece), demonstrada quer pelo número de visitas quer pelos telefonemas inquirindo da razão de um período tão longo sem que o blog fosse refrescado, quero desde já dizer-vos que estão em preparação mais dois artigos, um sobre os garranos do Gerês e outro sobre a fotografia dos anos 50 (cf. prometido), este quase só com imagens digitalizadas dos anuários "Rollei" da época.

Perafita, 12 de Junho de 2007

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Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 20:18:58 | Link permanente | Comments (0) |

2007/03/08

Canon EF 17-40 4L USM, uma todo-o-terreno do caraças

Comprei-a para acompanhar o corpo 350D há uns dois anos atrás e ainda não me arrependi...

Nisto de objectivas a coisa é quase linear, i.e., compras o que pagas. Não há lugar a grandes filosofias aqui. Isto não impede que tentes conseguir a melhor qualidade/preço... E eu, juro, procurei até à exaustão. 

A primeira condição na escolha da lente, para além do preço, foi a de ser também uma lente de futuro. Queria uma lente que servisse de imediato para a 350D mesmo com o elevado factor crop que tem, mas também, que me viesse a servir para factores crop mais baixos num futuro que espero não ser muito longínquo. De facto com o factor crop de 1,6 esta objectiva transforma-se numa 27-64 que, para mim, é perfeitamente usável e, garanto, tansformar-se-à numa excelente zoom grande angular aquando dos tais factores crop mais baixos.

É a minha lente do dia a dia, a minha todo-o terreno como se diz agora, e raramente a tiro da máquina até porque tenho um outro corpo 350D que uso com a pesadona mas luminosa Sigma 120-300 (cara mas com uma definição que nunca pensei ser possível numa zoom tele; falarei dela num outro artigo).

A segunda condição era que tivesse definição e contraste. Depois destes dois anos de utilização intensa posso dizer-vos que não me enganei. Difícilmente se conseguirá melhor para uma lente com um preço a rondar os 750 Euro, como é o caso. Mesmo a trabalhar com luz no limite, com o diafragma às vezes escancarado, com tempo complicado, ela não me deixa ficar mal... Faz-me quase sempre trazer para casa imagens que até podem estar mal enquadradas, ou com outro tipo de erros, mas sempre com excelente definição. Abrir uma imagem destas no editor e aumentá-la a 100 ou 200% é sempre um prazer. Está lá tudo o que se viu e muito do que não se viu no momento do click... É quase perfeita a este nível...

A terceira condição era que não fosse pesada, que tivesse alguma robustez e que, sem exigir que fosse estanque, me permitisse andar com algum à vontade junto ao mar mesmo em dias húmidos (daqueles dias em que até se sente sal no ar).

Como sabem sou um apaixonado por fotografias do mar com quem tenho uma ligação longa e especial por razões culturais e familiares. Desde que voltei à fotografia em 2000 que tenho feito, literalmente, centenas ou, se calhar, milhares de fotogramas naquele bocado de costa que vai de Leça da Palmeira até à Póvoa. Estes dois últimos anos não tem sido excepção. Ando muitas vezes a pé pela praia e não sinto o peso do equipamento (a 350 D é levíssima e a lente pesa menos de meio Kg). Ainda hoje, ao fim de dois anos, a lente está como nova mesmo depois de apanhar um ou outro salpico (que tenho o cuidado no entanto de limpar de imediato), os inevitáveis pingos de chuva, nevoeiro e a tal também inevitável humidade salgada que se sente no ar principalmente em dias de temporal... 

Penso que com este tipo de teste, em terreno nem sempre fácil, ficou provado que a lente tem a tal leveza, robustez e alguma estanticidade que lhe exigi.

Leça     www.zacariasdamata.com

Mais vantagens:

Abertura constante, autofoco rápido e silencioso, possibilidade de fazer acertos manuais de foco sem passar a manual, zoom e focagem interna o que permite utilizar um polarizador sem qualquer chatice e flare perfeitamente aceitável atendendo ao tipo de zoom grande angular que é. Em relação ao flare importa realçar que a objectiva traz consigo um bom e estético parasol que uso sempre já que complementa o combate ao flare e porque é uma protecção extra à lente frontal.

Menos bom:

Embora menos visível que noutras grande-angulares com que tive oportunidade de trabalhar, tem distorsão nas distâncias focais de 17 a 19 mm. Numa "guerra", no entanto, é utilizável; além disso quem é que não gosta dalguns efeitos de distorsão em imagens em que se pretende um pouco mais de dramatismo, por exemplo. Usa filtros 77 mm (os polarizadores de qualidade são caritos porque são grandes e tem que ser slim). Por vezes, mas só às vezes, sente-se a falta da abertura 2:8; com o tempo a gente habitua-se à sua ausência no entanto.

Conclusão:

A Canon tem agora, que não conheço, uma 24-105 da mesma gama, ainda carita, que se calhar pode ser melhor opção como todo o terreno para factores crop mais baixos. A 17-40, no entanto, continua a ser uma grande opção como todo terreno para o factor crop 1,6 e é uma excelente zoom grande angular para factores crop mais baixos. Tem seguramente uma das melhores relações preço/qualidade do mercado. 

 

Vejam algumas fotos feitas com ela

Barrosã    www.zacariasdamata.com

Cercas    www.zacariasdamata.com

Árvore velha www.zacariasdamata.com

 

Se a Canon quisesse eu até lhe fazia a review da 70-200mm f/2.8L IS  . Para isso bastava que ma oferecesse Wink ... Laughing

 

Perafita, 10 de Março de 2007

 

www.zacariasdamata.com

 

 

Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 20:44:49 | Link permanente | Comments (0) |

2007/02/25

Fotografia Salonista

W. Luthy - Rollei Annual 1951

 

Este artigo não pretende ser o ensaio definitivo sobre o "Salonismo"... Nunca o poderia ser até porque a própria palavra "ensaio" que escolhi para definir este meu artigo é precisa, i.e., quer dizer isso mesmo: ensaio/estudo/abordagem/tentativa...

Por outro lado também não tenho tanto tempo assim e, assumo que, se calhar, não estarei particularmente à vontade nas definições das grandes correntes, modas e "estares", da fotografia e da arte em geral...

Mas da mesma forma que há dias ensaiei uma definição de "surrealismo" que, parece, até deu para perceber, voltarei a tentar o mesmo para o "Salonismo fotográfico"... Desta vez, no entanto, acrescentarei algumas considerações pessoais acerca desse fenómeno com os riscos inerentes às apreciações subjectivas...

Este artigo surge um pouco na continuação do comentário do João Cravo ao artigo imediatamente  anterior deste blog sobre o Jorge Henriques em que diz : "O século XIX continua muitas vezes a formatar-nos a mente e a impelir-nos para a necessidade da classificação. Salonista ou não (um termo que nos remete para as artes oficiais do século XIX francês) este é um fotógrafo que eu gostava de conhecer melhor..." 

A classificação a que se refere o João espartilha e turva, bastas vezes, a análise e a crítica a uma determinada obra. Acontece inevitávelmente com o chamado "Salonismo" e, se calhar,  de forma mais visível... Perceberão melhor esta afirmação minha mais lá para o fim do artigo...

No entanto, como já o disse em artigo anterior, classificações e definições ajudam no diálogo e na comunicação em geral... Passarei assim à prometida tentativa de definição, o mais terra a terra possível, como é meu hábito...

À semelhança do que diz o João entendo que a génese do salonismo deve ser procurado nalgum formalismo do século XIX. Esta não é porém a minha área e deixarei isto para historiadores e investigadores... Limitando-me apenas por isso ao concreto "salonismo fotográfico" do período que se seguiu à 2ª guerra (embora se praticasse desde os anos 30) e que se extendeu até ao fim dos anos 60 e princípios dos anos 70 direi que o "Salonismo" era um tipo de foto praticada quase exclusivamente por amadores, normalmente com algum dinheiro, que utilizavam o seu Domingo  para obterem os melhores "clichés" possíveis para levar a concurso. O melhor fotógrafo era o que conseguia ao longo do tempo mais taças, medalhas e menções, tal qual acontece hoje na pesca desportiva, por exemplo. Por isso não ousavam muito, obedeciam às regras mais formais da fotografia, quer no momento do "click" quer no laboratório... O desígnio final era conseguir aparecer nos anuários da "Rollei"... 

Se se percebeu a definição, talvez se entenda melhor agora, o porquê da agressividade dos anos 70 contra esta prática fotográfica quase ancestral... O novo fotógrafo dos anos 70 fazia a chamada "fotografia casual", tabalhava na sua maioria apenas com 35 mm, era avesso à encenação, estava contra o "regime" (nas duas interpretações possíveis neste caso: arte dominante instituida e regime político) e usava calças de ganga... Bresson e a "Magum" estavam sempre presentes...

Ao ler-se os dois parágrafos anteriores pode ficar-se com a impressão que os bons estão dum lado e os maus do outro... Ora, nem tudo é assim tão simples...

Os chamados salonistas, de facto, na sua maioria, pertenciam a uma classe média dominante. Eram pessoas sofisticadas, possuidores de equipamento ao nível do melhor da época e tinham, quase sempre, sobretudo em Portugal, a complacência e às vezes o incentivo do antigo regime político. Eram defensores aguerridos do formal, criticando duramente quem avançasse com montagens e/ou trabalhos mais criativos de laboratório; até os enquadramentos menos formais eram recusados. Algumas destas técnicas e enquadramentos mais arrojados, liminarmente recusados pelos salonistas e pelos seus concursos, felizmente, são hoje usados com frequência. O salonista pela sua sofisticação e inteligência, no entanto, não deixava de apreciar as novas tendências (Bresson e "Magnum" de que falamos há pouco, p.ex.) e era capaz de adaptar o seu trabalho (vejam-se as fotografias de rua)...

Ora, no meio de tudo isto, das camisas de força a que se auto-submetiam, na sua necessidade de vencerem concursos, recorrendo a expedientes como a encenação de rua (p.ex), havia gente muito capaz, com trabalhos fabulosos que hoje já ninguém conhece porque a sociedade entendeu penalizá-los pelo esquecimento. É um pouco contra isto que me oponho. Entendo que os grandes trabalhos não podem, não devem ficar esquecidos, independentemente da sua proveniência...

Tsuguo Yanagiya - Rollei Annual 1951

Em relação à encenação usada com frequência (mesmo de rua) a que me acabei de referir, devo dizer que não me oponho. Há quem diga que "Bresson" o fez... Se a encenação for cuidada, não utilizada para desvirtuar/esconder/lançar poeira, não me oponho... Às vezes tenho pena de hoje não se conseguir tão fácilmente  a conivência dos fotografados...

Alguns salonistas eram sérios, com bom gosto, alguns até na minha humilde opinião, verdadeiros artistas, muitos não ligados ao regime (pelo menos ao político). Gostavam daquilo que faziam e faziam-no na perfeição; era a sua arte, com regras, limitativo, mas era a sua arte, a sua paixão... 

Por isso e pelas imagens que vão ver espero que agora entendam aquilo que disse há pouco: A classificação a que se refere o João espartilha e turva, bastas vezes, a análise e a crítica a uma determinada obra. Acontece inevitávelmente com o chamado "Salonismo" e, se calhar,  de forma mais visível... 

Fui procurar nos livros cá de casa e encontrei três livros da época, entre os quais dois anuários da Rollei dos anos 50 onde foram impressas as fotografias vencedoras dos famosíssimos concursos mundiais da Rollei, na minha opinião, paradigma do salonismo fotográfico mundial que grassava.

As imagens deste artigo e dos que se seguirão sobre este tema foram digitalizadas desses livros. Infelizmente algumas imagens não são possíveis de recuperar porque o papel utlizado para a impressão (parecido com o fotográfico), com a humidade e com os anos, possibilitou a colagem dumas folhas às outras. O descolar é complicado e trás invariávelmente danos...

Espero que gostem.

Hajime Uchida - Rollei Annual 1951

Vagn Hansen - Rollei Annual 1951

K. L. Kothary - Rollei Annual 1951

Tom Chan - Rollei Annual 1951

Hans D. Tamke - Rollei Annual 1951

Jan Beran - Rollei Annual 1951

Hanni Haase - Rollei Annual 1951

Walter Studer - Rollei Annual 1951

A título de coclusão:

. Também não faz mal saber as regras da fotografia, sobretudo para que se saiba que as estamos a quebrar. 

. É evidente pelas imagens que aqui vemos que há muita qualidade e interesse o que confirma a minha ideia de que não nos devemos deixar levar pela classificação (pelo menos de forma preconceituosa) na apreciação dos trabalhos.

. Ainda hoje há reminiscências desta corrente, principalmente nos Clubes ("salões"), por exemplo, de Inglaterra, onde se vê com frequência imagens de senhoras feitas em estúdio de cigarro na mão, em poses pseudo-naturais ...

 

Voltarei a este período, agora só com imagens digitalizadas dos três livros que possuo.

 

Perafita, 25 de Fevereiro de 2007

 

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Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 12:03:06 | Link permanente | Comments (0) |

2007/02/23

Jorge Henriques - Uma exposição que deu que falar

Embora tenha a noção da carga negativa do termo que me foi dado a conhecer pelos colegas mais velhos no início dos anos 70, sinceramente, pouco me importa que o Jorge Henriques tenha sido "salonista" ou não...

Aliás quando comecei a tentar trabalhar de forma mais séria a imagem em 1973/74, tudo era classificado e nada estava bem... Estavamos em tempo de mudança, em ebulição... O cinema português, a que estava particularmente atento, estava já em mudança há mais de uma década e, sinceramente desiludidos, alguns putos como eu, embora baixinho, iam gritando que o "rei ia nú"... De facto a grande produção das décadas de 30, 40 e 50 tinham acabado e eram considerados trabalhos vergonhosos enquanto que coisas quase sem sentido, "modernas", que pouca gente via e que hoje ninguém vê,  eram consideradas obras primas, coisas que ninguém se atrevia a criticar com medo de serem carimbados de incultos ou de "cromagnons"...

Agora que eu e mais alguns putos continuavamos a gritar - embora baixinho Smile - que o rei ia nú, lá isso continuavamos... Alguns desses putos hoje estão na organização de eventos que nos honram, o "Fantas" por exemplo, ou a trabalhar na América nesta área muito competitiva, com algum sucesso...

Por isso pouco me importa que classifiquem o Jorge Henriques seja do que for, o que me interessa é o resultado...

E o resultado, aquele que eu pude ver já depois da sua morte numa exposição no Centro Português de Fotografia, foi uma coisa assombrosa... Sem que eu tenha acesso, como muitos de nós portugueses, por falta de dinheiro, aos grandes espaços de Nova York, vou aproveitando o pouco que temos e, do pouco que temos, isto foi do melhor que vi até hoje, pela qualidade do trabalho, pela qualidade das impressões e pela disposição e espaço nobre que ocupava...

Só posso dar os meus sinceros parabéns às minhas professoras e amigas, Siza e Maria do Carmo, por esta e outras mostras de grandes fotógrafos portugueses. No entanto, porque eu sei que me hão-de ler e porque nem tudo são flores, deixai que o puto irrequieto e que às vezes incomodava com perguntas e afirmações despropositadas e anacrónicas, agora quase com 50 anos, vos diga:

Não se compreende que durante estes já largos anos de actividade do Centro Português de Fotografia, não tenha havido uma única exposição de fotógrafos da nova vaga, contemporaneos e pós foto.pt...

Agora já uso óculos de lentes progressivas mas dá-me a impressão que o rei continua a ir nú... 

 

 

P.S.. Gostaria de vos mostrar algumas imagens deste grande fotógrafo português mas foi-me impossível encontrar algo acessível. Espero, no entanto, que este artigo vos provoque vontade de pesquizar e de saber um pouco mais... Posso sugerir que comecem pelo CPF... O tabalho deste homem, garanto-vos, é inspirador...

 

Estas duas não são do Jorge, são do Zacarias feitas num domingo de manhã...Wink...

 

Perafita, 23 de Fevereiro de 2007

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Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 20:43:15 | Link permanente | Comments (7) |

2007/01/19

À deriva

Conforme prometido em artigo anterior aqui fica outro trabalho de que gosto muito em que foi utilizada uma imagem minha para ilustração. É mais um poema da Amita constante no Blog http://branco-e-preto.blogspot.com que só posso reputar de "Excelente". O título é brilhante, imho. Parabéns Amita.

 

Fotografia constante no portfólio "Quanto do teu sal" de www.zacariasdamata.com

 

Emblemáticas, monocórdicas, arredias
Pelos dias pairam letras e palavras
Numa invasão programada
E de constância interrompida
Trespassando as paredes da casa

E alego convincente
- Amanhã vou!... - Ia…
Se o ontem no presente
Pelo nada se abria

E soldava-as lentas e leves
Num espartilho de sal e pedra
Na certeza desejada e incumprida
Daquele sorver de passos
Vozes, beijos, rever laços
Em lonjura adormecida

Sob a equidistante neblina
Adensada e caminhante
Embalei as velas do nosso barco
Numa serena deriva
Onde verdes peixes cantavam
Nos murmurados solfejos
De um mar de amor, paz e vida

Emblemáticas, monocórdicas, arredias
Dançam letras e palavras
Na lesta terminologia
De fortes correntes de água


posted by amita at 1:12 PM 

Domingo, Janeiro 07, 2007

 

Outros trabalhos deste e de outros autores se seguirão oportunamente.

 

Perafita,19 de Janeiro de 2007

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Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 19:04:45 | Link permanente | Comments (3) |

2007/01/18

Naufrágio do Veronese versus Luz do Sameiro

 

 

Ainda a propósito do "morrer na praia" e da tragédia da "Luz do Sameiro", aqui fica um e-mail acabado de receber de um amigo meu a viver no Algarve, genro de uma das figuras mais carismáticas daquela zona, um pescador "campeão", infelizmente já desaparecido, Mestre Emiliano.

O Albino Monteiro, apesar de viver no Algarve, foi nascido e criado em Matosinhos, Leça da Palmeira (quase meu vizinho). Têm um blog muito interessante, www.mardelevante.blogspot.com , cuja visita recomendo.

Aqui fica então a reprodução do e-mail, sem mais comentários:

 

"Caro Zacarias da Mata,

Partilho completamente a sua revolta pelo sucedido com o LUZ DO SAMEIRO e  
o seu trágico desfecho. Como homem ligado ao mar desde muito cedo (e  
continuo, para mal dos meus pecados) sei perfeitamente o que falhou  
naquele infeliz acontecimento. A prova do que tenho repetidamente afirmado  
está aquí neste artigo do Matosinhos Hoje que recorda o naufágio do  
Veronese há 94 anos. Falharam muitas coisas e por motivos absolutamente  
inaceitáveis, mas a falta de um lança-cabos (que existe a bordo dos nossos  
barcos e é obrigatório por lei) num corpo de bombeiros do litoral ou numa  
capitania, é absolutamente inacreditável. Há 94 anos foi isso que salvou  
mais de 200 passageiros do Veronese. Há quase 1 século salvou-se tanta  
gente em condições muitíssimo mais complicadas, conforme o artigo do  
jornal demonstra ( e lá se vê o foguete que levou o cabo para o navio) e  
utilizando meios muito mais rudimentares. Como é possível que ao fim de  
tantos anos e existindo no mercado aparelhos lança-cabos tão baratos e tão  
fáceis de manejar (é tudo em plástico), que permitem depois utilizar a  
boia-calção num cabo de vai-e-vem, se tenha chegado a este ponto de  
incúria? Como muito bem diz: SÃO OS CÔNAS DESTE PAÍS !
Saudações calorosas desde este canto do Algarve."

www.matosinhoshoje.com


 

 

Um grande abraço para a toda a família Emiliano de quem tenho profundas saudades.

Ao Albino Monteiro, Leceiro dos quatro costados, para além do abraço que se impôe, segue também os meus agradecimentos pelo e-mail que se reproduziu e que, definitivamente, foi bastante esclarecedor.

 

Perafita, 18 de Janeiro de 2007

www.zacariasdamata.com 

 

 


Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 20:11:09 | Link permanente | Comments (0) |

2007/01/09

A qualidade de Paixões Proibidas, RTP e o Sr. Dr. Almerindo Marques

 

Acabei de ver o primeiro episódio da nova novela da RTP, "Paixões proibidas", e fiquei impressionado.

Foi uma surpresa completa...

Que qualidade!... Até a fotografia é boa, mesmo para mim que sou particularmente exigente...

Foi uma surpresa quase tão grande quanto a aceitação do Sr. Dr. Almerindo Marques para ocupar o lugar de Presidente do Conselho de Administração da RTP.

Habituado a vê-lo à frente de grandes Instituições Bancárias, algumas onde tive a sorte de trabalhar durante a sua administração, admiti, no entanto, que tivesse aceitado este desafio apenas para pôr nos eixos as conhecidas e desgraçadas finanças da RTP...

Conheci-o no Banco Fonsecas & Burnay onde, nos anos oitenta, pela primeira vez, mal assumiu o lugar de Presidente, resolveu pôr cá fora as Contas da Instituição sem "engenharias", uma medida extrema, inesperada, "perigosa", atendendo à época em que viviamos de domínio das grandes empresas públicas, que, de alguma forma, tinham permitido que boa parte dos empregados e público se tivesse esquecido do que era na realidade uma empresa.

Eu era ainda um puto, caixa, que estudava economia (curso que deixei pela metade, para mal dos meus pecados) e, confesso, na altura, armado em conhecedor da história da economia, torci o nariz, admitindo uma reacção menos boa do público, ou até, no limite, uma corrida desenfreada ao levantamento de depósitos Embarassed, tipo América do princípio do século passado. A Banca, ao tempo, reconheço hoje, padecia de alguns males maiores que precisavam de ser corrigidos. A "jogada" inteligente de publicar as contas, tal qual eram, acabaram afinal por justificar as medidas duras que foram tomadas nos dois primeiros anos de gestão do Sr. Dr. Almerindo Marques e que, sem dramas, foram aceites por toda a gente, público e trabalhadores, mesmo apesar da pressão dos sindicatos. Acredito que os próprios sindicatos não tenham utilizado todos os seus recursos (que eram muitos na altura) porque perceberam que o que estava a ser feito, tinha que ser feito... 

Reencontrei-o no "Barclays Bank" no início dos anos 90 como reponsável desta instituição em Portugal. Aí fiquei a apreciá-lo mais que nunca pela sua capacidade de realizar e comecei a perceber o que era o rigor e a qualidade. No limite, conseguiu com que o "Barclays" fosse o primeiro (não sei se o único) a conseguir o certificado de qualidade, processo em que, ao meu nível de comercial (gestor de conta senior), me envolvi com todas as minhas forças.

Se calhar não deveria ser assim tanta surpresa para mim a qualidade desta telenovela. Custar-me-ia a acreditar que qualquer coisa tão baixa, como outras telenovelas que por aí andam, pudessem sair duma casa gerida pelo Sr. Dr. Almerindo.

Assim sendo, dou graças, pela não exclusiva concretização do "apenas para pôr nos eixos as conhecidas e desgraçadas finanças da RTP" do início deste humilde artigo. De facto foi uma benção que a administração da RTP tivesse caído nas mãos de alguém com a competência de gestão, a cultura e o bom gosto do Sr. Dr. Almerindo Marques que (não me admira; sei que é assim) não pactua com tentações do fácil.

 Parabéns, Sr. Dr.

 

Perafita, 9 de Janeiro de 2007

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Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 23:00:00 | Link permanente | Comments (4) |