A qualidade de Paixões Proibidas, RTP e o Sr. Dr. Almerindo Marques

Acabei de ver o primeiro episódio da nova novela da RTP, "Paixões proibidas", e fiquei impressionado.
Foi uma surpresa completa...
Que qualidade!... Até a fotografia é boa, mesmo para mim que sou particularmente exigente...
Foi uma surpresa quase tão grande quanto a aceitação do Sr. Dr. Almerindo Marques para ocupar o lugar de Presidente do Conselho de Administração da RTP.
Habituado a vê-lo à frente de grandes Instituições Bancárias, algumas onde tive a sorte de trabalhar durante a sua administração, admiti, no entanto, que tivesse aceitado este desafio apenas para pôr nos eixos as conhecidas e desgraçadas finanças da RTP...
Conheci-o no Banco Fonsecas & Burnay onde, nos anos oitenta, pela primeira vez, mal assumiu o lugar de Presidente, resolveu pôr cá fora as Contas da Instituição sem "engenharias", uma medida extrema, inesperada, "perigosa", atendendo à época em que viviamos de domínio das grandes empresas públicas, que, de alguma forma, tinham permitido que boa parte dos empregados e público se tivesse esquecido do que era na realidade uma empresa.
Eu era ainda um puto, caixa, que estudava economia (curso que deixei pela metade, para mal dos meus pecados) e, confesso, na altura, armado em conhecedor da história da economia, torci o nariz, admitindo uma reacção menos boa do público, ou até, no limite, uma corrida desenfreada ao levantamento de depósitos
, tipo América do princípio do século passado. A Banca, ao tempo, reconheço hoje, padecia de alguns males maiores que precisavam de ser corrigidos. A "jogada" inteligente de publicar as contas, tal qual eram, acabaram afinal por justificar as medidas duras que foram tomadas nos dois primeiros anos de gestão do Sr. Dr. Almerindo Marques e que, sem dramas, foram aceites por toda a gente, público e trabalhadores, mesmo apesar da pressão dos sindicatos. Acredito que os próprios sindicatos não tenham utilizado todos os seus recursos (que eram muitos na altura) porque perceberam que o que estava a ser feito, tinha que ser feito...
Reencontrei-o no "Barclays Bank" no início dos anos 90 como reponsável desta instituição em Portugal. Aí fiquei a apreciá-lo mais que nunca pela sua capacidade de realizar e comecei a perceber o que era o rigor e a qualidade. No limite, conseguiu com que o "Barclays" fosse o primeiro (não sei se o único) a conseguir o certificado de qualidade, processo em que, ao meu nível de comercial (gestor de conta senior), me envolvi com todas as minhas forças.
Se calhar não deveria ser assim tanta surpresa para mim a qualidade desta telenovela. Custar-me-ia a acreditar que qualquer coisa tão baixa, como outras telenovelas que por aí andam, pudessem sair duma casa gerida pelo Sr. Dr. Almerindo.
Assim sendo, dou graças, pela não exclusiva concretização do "apenas para pôr nos eixos as conhecidas e desgraçadas finanças da RTP" do início deste humilde artigo. De facto foi uma benção que a administração da RTP tivesse caído nas mãos de alguém com a competência de gestão, a cultura e o bom gosto do Sr. Dr. Almerindo Marques que (não me admira; sei que é assim) não pactua com tentações do fácil.
Parabéns, Sr. Dr.
Perafita, 9 de Janeiro de 2007
Um texto com a qualidade já habitual neste espaço e uma bonita homenagem. Feliz ou infelizmente, vejo pouca televisão e, quando o faço, situo-me nos programas da RTP2, mas terei em conta a sua sugestão.
Aproveito para lhe dizer que levei uma fotografia sua para embelezar um poema meu. Se houver qualquer inconveniente, avise-me por favor que retirá-la-ei imediatamente.
Com carinho, um abraço (Comentar)
É evidente que não me aborrece nada que utilize as minhas fotos; É até uma honra que o faça.
Já lá fui espreitar e brevemente, se não se importar, reproduzirei o seu poema associado à minha foto, neste meu humilde blog.
Obrigado Amita (Comentar)
De grande qualidade, mas que o público português infelizmente não adere a 100 %, e é pena .
Sobre a administração da RTP sou suspeito para falar,dado que já pertenci aos quadros da RTP, mas o seu director de Programas Nuno Santos e um homem ao leme (complicado)desta nau.
Cumprimentos
JJ (Comentar)
Há lugar, concerteza, para telenovelas ligeiras e outras não tanto...
Pessoalmente gosto de trabalhos mais elaborados e com história embora sempre, ou quase sempre, com princípio e fim...
Não gosto definitivamente, de trabalhos em que "vale tudo"!...
Este assunto acaba por ter uma certa complexididade e provávelmente será alvo de outros artigos meus; estou-me a lembrar de um dia ensaiar algo na área do cinema (onde apesar de tudo estou mais à vontade) que envolva comparações entre trabalho Americano de sucesso com qualidade, trabalho de sucesso Americano grosseiro e a apelar ao que temos de mais baixo e, já agora, falar um pouco de cinema Europeu que quase nunca vende...
Abração! (Comentar)