Jorge Henriques - Uma exposição que deu que falar



Embora tenha a noção da carga negativa do termo que me foi dado a conhecer pelos colegas mais velhos no início dos anos 70, sinceramente, pouco me importa que o Jorge Henriques tenha sido "salonista" ou não...
Aliás quando comecei a tentar trabalhar de forma mais séria a imagem em 1973/74, tudo era classificado e nada estava bem... Estavamos em tempo de mudança, em ebulição... O cinema português, a que estava particularmente atento, estava já em mudança há mais de uma década e, sinceramente desiludidos, alguns putos como eu, embora baixinho, iam gritando que o "rei ia nú"... De facto a grande produção das décadas de 30, 40 e 50 tinham acabado e eram considerados trabalhos vergonhosos enquanto que coisas quase sem sentido, "modernas", que pouca gente via e que hoje ninguém vê, eram consideradas obras primas, coisas que ninguém se atrevia a criticar com medo de serem carimbados de incultos ou de "cromagnons"...
Agora que eu e mais alguns putos continuavamos a gritar - embora baixinho
- que o rei ia nú, lá isso continuavamos... Alguns desses putos hoje estão na organização de eventos que nos honram, o "Fantas" por exemplo, ou a trabalhar na América nesta área muito competitiva, com algum sucesso...
Por isso pouco me importa que classifiquem o Jorge Henriques seja do que for, o que me interessa é o resultado...
E o resultado, aquele que eu pude ver já depois da sua morte numa exposição no Centro Português de Fotografia, foi uma coisa assombrosa... Sem que eu tenha acesso, como muitos de nós portugueses, por falta de dinheiro, aos grandes espaços de Nova York, vou aproveitando o pouco que temos e, do pouco que temos, isto foi do melhor que vi até hoje, pela qualidade do trabalho, pela qualidade das impressões e pela disposição e espaço nobre que ocupava...
Só posso dar os meus sinceros parabéns às minhas professoras e amigas, Siza e Maria do Carmo, por esta e outras mostras de grandes fotógrafos portugueses. No entanto, porque eu sei que me hão-de ler e porque nem tudo são flores, deixai que o puto irrequieto e que às vezes incomodava com perguntas e afirmações despropositadas e anacrónicas, agora quase com 50 anos, vos diga:
Não se compreende que durante estes já largos anos de actividade do Centro Português de Fotografia, não tenha havido uma única exposição de fotógrafos da nova vaga, contemporaneos e pós foto.pt...
Agora já uso óculos de lentes progressivas mas dá-me a impressão que o rei continua a ir nú...
P.S.. Gostaria de vos mostrar algumas imagens deste grande fotógrafo português mas foi-me impossível encontrar algo acessível. Espero, no entanto, que este artigo vos provoque vontade de pesquizar e de saber um pouco mais... Posso sugerir que comecem pelo CPF... O tabalho deste homem, garanto-vos, é inspirador...

Estas duas não são do Jorge, são do Zacarias feitas num domingo de manhã...
...

Perafita, 23 de Fevereiro de 2007
Abraço (Comentar)
No seguimento deste teu comentário, resolvi ensaiar um artigo sobre o "salonismo" que apresentarei em breve.
Estou, é claro, de acordo com o que dizes...
Abraço! (Comentar)
Estamos mesmo a precisar desse inconformismo de que falas, na arte (fotográfica ou não) e na vida actual deste país.
Como provávelmente te apercebeste nos artigos sobre o chamado "Salonismo" ( e noutros neste blog) é contra o preconceito e a classificação (tipo carimbo) que me insurjo.
Como diz habitualmente, muito à Matosinhense, um amigo meu: "havia mais umas coisas para dizer mas fica assim..."
... di-las-ei a seu tempo...
Grande, grande abraço!
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