Morrer na praia
O Blog está de luto
O único sobrevivente (com ferimentos ligeiros) é um homem de nacionalidade ucraniana, que teve ainda ontem alta do hospital de Leiria. As operações de busca e salvamento são retomadas hoje, às 08.00, confirmou o Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria.
O acidente aconteceu perto das 07.00, a pouco mais de 50 metros da praia. A embarcação, de nome Luz do Sameiro, tinha zarpado do porto da Nazaré às 06.00. "Foi perto das 07.00 que foi dado o primeiro sinal satélite, mas este primeiro sinal não foi conclusivo e esperamos pelo segundo. Por volta das 08.00 tivemos a confirmação da posição e do barco que era", disse ao DN José Miguel Neto. O capitão do Porto da Nazaré suspeita que na origem do acidente possa estar algum problema de motor ou as redes que tenham ficado presas nas hélices.
Outra versão tem Hugo Henriques, um nadador-salvador, que com ajuda de um amigo chegou a estar dentro de água e muito perto dos tripulantes da fragata mas "foi impossível tirá-los de lá", lamenta. "O alerta foi dado por um senhor aqui da aldeia que viu a embarcação virar, eram 07.00. Nós descemos à praia e entrámos dentro de água. Chegámos muito perto do barco. Nessa altura estavam quatro homens, de pé na cabina do barco, e outro estava sem sentidos", conta ao DN.
E continua: "A corrente estava muito forte, a maré estava cheia e por isso eles nem conseguiam chegar à praia mesmo que quisessem." Sem poder fazer nada, restou-lhes esperar pelo socorro, "que tardou. A Polícia Marítima chegou aqui sem qualquer equipamento de resgate e o helicóptero demorou mais de duas horas a chegar", denuncia.
Inácio Maio comandava uma equipa de dez pessoas. Mas ontem, quis o destino que só seis embarcassem com ele. José Elias Viana e Fernando Craveiro Cartucho foram duas das vítimas mortais resgatadas ontem. Permanecem desaparecidos João Craveiro Cartucho, José Maciel Ferreira e Ricardo Marques.
Dois corpos - um de manhã e outro ao início da tarde - foram resgatadas de dentro da embarcação. A terceira vítima deu à costa na praia Vale Furado. As operações foram interrompidas às 19.30. As buscas são hoje retomadas, às 08.00.
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Sra da Guia - Foto de Zacarias da Mata
Viemos juntos há mil anos, meus garbosos irmãos, todos filhos de um Deus maior do Norte...
Desembarcamos nas nossas praias; eram todas nossas, as praias...
Fizemos-lhe os barcos, ensinamo-lhes a navegar, fizemos-lhe o Império...
Voltamos ao norte nos lugres para lhes matar a fome... Ousamos descobrir pesqueiros, tão ao Norte que, ali, nunca tinha navegado ninguém... Fomos abalroados e torpedeados na 2ª guerra...
Os conas* enchem-nos de impostos e de taxas com os quais compram o peixe que nós pescamos mas que não podemos comer...
Nunca nos agradeceram, os conas...
Mas, ao menos, meu Deus, que não nos deixem morrer na praia... É o mínimo que os conas podem e devem fazer...
Vão dizer os conas outra vez: "que estaveis em zona proibida", "que sois aventureiros", "que arriscais em demasia"...
Se vós não fosseis assim - eu pergunto - a terra dos conas seria o que é? Será que este paraíso, o dos conas, teria alguma glória, que é vossa e que foi usurpada?...

As mulheres - Imagem de Zacarias da Mata
Homenagem aos que morreram na praia, pescadores das Caxinas, da Poça da Barca e da Póvoa, filhos de Njord!
Que tenham vergonha os conas. O cú pesa-lhes tanto que não conseguem despachar-se, mesmo quando estão vidas em risco... Ponham os olhos na Guarda Costeira dos Estados Unidos que nem sequer tem a nossa tradição...
*"Os Conas": Termo que se usa nas Caxinas, Poça da Barca e Póvoa (provávelmente noutros lados, também) para classificar homens flácidos, homens pouco despachados, homens sem coragem, homens que vivem à custa da mulher e/ou de outros, políticos que não tomam medidas ou que governam para se "encherem", homens que se deixam dominar fácilmente, homens que evitam embarcar, homens que não assumem riscos mesmo quando é absolutamente necessário, etc., etc...
Perafita, 30 de Dezembro de 2006


















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