2006/12/30

Morrer na praia

O Blog está de luto

 

Três homens morreram e outros três estão desaparecidos, na sequência de um naufrágio de um barco de pesca, ontem, ao largo da praia da Légua, Pataias, perto de Alcobaça. Cena trágica, pois ocorreu a 50 metros da praia. Muita gente viu os pescadores morrer, desesperados, a pedir ajuda. O socorro demorou duas horas a chegar.

O único sobrevivente (com ferimentos ligeiros) é um homem de nacionalidade ucraniana, que teve ainda ontem alta do hospital de Leiria. As operações de busca e salvamento são retomadas hoje, às 08.00, confirmou o Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria.

O acidente aconteceu perto das 07.00, a pouco mais de 50 metros da praia. A embarcação, de nome Luz do Sameiro, tinha zarpado do porto da Nazaré às 06.00. "Foi perto das 07.00 que foi dado o primeiro sinal satélite, mas este primeiro sinal não foi conclusivo e esperamos pelo segundo. Por volta das 08.00 tivemos a confirmação da posição e do barco que era", disse ao DN José Miguel Neto. O capitão do Porto da Nazaré suspeita que na origem do acidente possa estar algum problema de motor ou as redes que tenham ficado presas nas hélices.

Outra versão tem Hugo Henriques, um nadador-salvador, que com ajuda de um amigo chegou a estar dentro de água e muito perto dos tripulantes da fragata mas "foi impossível tirá-los de lá", lamenta. "O alerta foi dado por um senhor aqui da aldeia que viu a embarcação virar, eram 07.00. Nós descemos à praia e entrámos dentro de água. Chegámos muito perto do barco. Nessa altura estavam quatro homens, de pé na cabina do barco, e outro estava sem sentidos", conta ao DN.

E continua: "A corrente estava muito forte, a maré estava cheia e por isso eles nem conseguiam chegar à praia mesmo que quisessem." Sem poder fazer nada, restou-lhes esperar pelo socorro, "que tardou. A Polícia Marítima chegou aqui sem qualquer equipamento de resgate e o helicóptero demorou mais de duas horas a chegar", denuncia.
Manuel Gavina Maio é o dono da embarcação Luz do Sameiro. Ontem, os bens materiais de nada valiam perante a vida do seu filho, uma das vítimas mortais do acidente. Iná- cio Maio, mestre do barco, tinha 39 ano e era pai de três filhos. O desespero de encontrar o filho ainda com vida levou a mãe do pescador a percorrer o areal da praia da Légua vezes sem conta durante toda a manhã... As más notícias chegaram à tarde. Pediram-lhe para identificar o corpo.

Inácio Maio comandava uma equipa de dez pessoas. Mas ontem, quis o destino que só seis embarcassem com ele. José Elias Viana e Fernando Craveiro Cartucho foram duas das vítimas mortais resgatadas ontem. Permanecem desaparecidos João Craveiro Cartucho, José Maciel Ferreira e Ricardo Marques.

Dois corpos - um de manhã e outro ao início da tarde - foram resgatadas de dentro da embarcação. A terceira vítima deu à costa na praia Vale Furado. As operações foram interrompidas às 19.30. As buscas são hoje retomadas, às 08.00.
 
In "Diário de Notícias" de hoje 
 
 

Sra da Guia - Foto de Zacarias da Mata

 

Viemos juntos há mil anos, meus garbosos irmãos, todos filhos de um Deus maior do Norte...

Desembarcamos nas nossas praias; eram todas nossas, as praias...

Fizemos-lhe os barcos, ensinamo-lhes a navegar, fizemos-lhe o Império...

Voltamos ao norte nos lugres para lhes matar a fome... Ousamos descobrir pesqueiros, tão ao Norte que, ali, nunca tinha navegado ninguém... Fomos abalroados e torpedeados na 2ª guerra...

Os conas* enchem-nos de impostos e de taxas com os quais compram o peixe que nós pescamos mas que não podemos comer...

Nunca nos agradeceram, os conas...

Mas, ao menos, meu Deus, que não nos deixem morrer na praia... É o mínimo que os conas podem e devem fazer...

Vão dizer os conas outra vez: "que estaveis em zona proibida", "que sois aventureiros", "que arriscais em demasia"...

Se vós não fosseis assim - eu pergunto - a terra dos conas seria o que é? Será que este paraíso, o dos conas, teria alguma glória, que é vossa e que foi usurpada?... 

As mulheres - Imagem de Zacarias da Mata

Homenagem aos que morreram na praia, pescadores das Caxinas, da Poça da Barca e da Póvoa, filhos de Njord!

 

Que tenham vergonha os conas. O cú pesa-lhes tanto que não conseguem despachar-se, mesmo quando estão vidas em risco... Ponham os olhos na Guarda Costeira dos Estados Unidos que nem sequer tem a nossa tradição...

 

*"Os Conas": Termo que se usa nas Caxinas, Poça da Barca e Póvoa (provávelmente noutros lados, também) para classificar homens flácidos, homens pouco despachados, homens sem coragem, homens que vivem à custa da mulher e/ou de outros, políticos que não tomam medidas ou que governam para se "encherem", homens que se deixam dominar fácilmente, homens que evitam embarcar, homens que não assumem riscos mesmo quando é absolutamente necessário, etc., etc...

 

Perafita, 30 de Dezembro de 2006

 

www.zacariasdamata.com 

 

 

 

 

 

Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 21:04:52 | Link permanente | Comments (4) |

2006/12/28

Dúvidas do João

Ainda não sei qual a razão por que escolhi o portfólio do João Castela Cravo,  "Aproximação ao Surrealismo"...

Talvez o tenha feito porque eu gosto de dúvidas e de quem tem dúvidas... E acerca deste assunto eu também tenho as minhas dúvidas... São muitas dúvidas, algumas que nem as quero expôr, mesmo apesar de se ouvir dizer com frequência que os blogs nasceram para libertar os pensamentos de quem os utiliza...

 ... Mas temos que nos entender, i.e., se houver só dúvidas, nem conseguimos comunicar... 

Assim sendo, eu ensaiaria definir o surrealismo muito à minha maneira, de forma muito lata, muito terra aterra, mas que , se calhar, funciona. Eu diria então que o surrealismo é a arte de quem recusa os constrangimentos do lógico e racional e - acho que alguém também já o afirmou, não me lembro quem - que ultrapassam a consciência quotidiana, expressando o inconsciente e os sonhos...

Podia transcrever o manifesto do André Breton de 1924 mas acho que metade do pessoal não o ia ler e, para quem o lesse na integra, só acrescentaria dúvidas, mais dúvidas e dúvidas sem fim... Se assim é, fiquemo-nos pelo meu pobre ensaio de definição do parágrafo anterior... 

Então aqui ficam algumas imagens do meu amigo João Castela Cravo, com o respectivo título e sub-título (muito esclarecedores) do portfólio onde estão expostas:

Aproximações ao surrealismo...

Um conjunto de experiências em que, na prática, tento responder às minhas próprias dúvidas sobre surrealismo em fotografia.

 

João Castela Cravo

Professor e Investigador

Para quem quiser saber mais e ver mais:

http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=107

 

ou, "google it" Wink

 

 

 Perafita, 28 de Dezembro de 2006

Zacarias Pereira da Mata

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Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 00:00:00 | Link permanente | Comments (1) |

2006/12/22

Francisco Pinto

... ou a força da dedicação ...

Já nos conheciamos antes, mas foi no www.photo.net e no português www.fotografia-na.net que começamos de forma séria a trocar uns comentários e, mais tarde, umas ideias e desabafos por e-mail. Acabamos por ganhar amizade e, por isso, tenho acompanhado a sua evolução que me parece notável...

Reconheço que os primeiros trabalhos que vi deste meu amigo fotógrafo não me chamaram particular atenção, mas, com os anos, da sua dedicação, tem saído verdadeiras obras de arte...

As suas imagens são tão fortes quanto a sua dedicação. Ora vejam: 

 

 

 

 

 

 

 

Site pessoal: www.franciscopinto.net

 

 

 Biography
My name is Francisco Costa Pinto and I'm from Portugal. Grandson of a photographer, photography is a part of my life since I was born. I had my first camera at the age of 10, given by an uncle, also a photographer. Only at 18 I started taken photography more seriously, but I stopped 5 years later. 3 years ago, I started again, and I've been using all cameras I can get my hands on, medium format, small format, digital and analogue, from Polaroid to Lomo, Nikon, Olympus, Holga, pinholes, etc. More recently I concentrated on digital cameras. My preferences go to landscape photography, urban and natural.
Photo-galleries also at:
www.photo.net/photos/franciscocpinto
franciscocpinto.photopoints.com

CONTACT: mail@franciscopinto.net

 

O meu amigo esqueceu-se de dizer na sua biografia que é quase bacharel em informática... Bem, eu não posso garantir, mas  tenho quase a certeza de que não é alheio à escolha deste curso o facto de gostar de fotografia, edição de imagem, por aí ... Wink ...

 

 

Perafita, 22 de Dezembro de 2006

Zacarias Pereira da Mata

www.zacariasdamata.com 

Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 22:46:11 | Link permanente | Comments (0) |

2006/12/19

Nanã na 1ª pessoa, directo e controverso

"Octopus" de Nanã Sousa Dias  
 
 
Não desgostou do artigo pubicado neste blog sobre ele, o Nanã.
 
Apreciou particularmente aquele bocadinho em que reproduzi parte da nossa conversa em Castelo Branco sobre a arrogância... Continua a achar que há muita gente que o rodeia que lhe espicaça essa arrogância, creio que pelos mesmos motivos invocados na tal conversa de Castelo Branco. Recomendo uma leitura do artigo publicado neste blog em 8 de Dezembro de 2006 intitulado "Nanã Sousa Dias, talento e sofisticação..." para se perceber...
 
Por outro lado temos tido ao longo dos anos longas conversas, quer pessoais, quer por e-mail, sobre a " velha história do digital vs. analógico". O último e-mail a propósito surgiu no seguimento do artigo já referido e que agora reproduzo, sic, com a sua autorização. A minha opinião deixá-la-ei para o fim.
 
 
 
"Quanto á velha história do digital vs. analógico, deixo-te uma dica para reflectires um pouco, se tiveres pachôrra:
 
Quem abandonou rapidamente o analógico, para se dedicar de corpo e alma ao digital, fê-lo por 2 razões, sómente:
 
1- Nunca conseguiu resultados REALMENTE BONS com o analógico...
 
2- Depende duma plataforma de edição digital (ex: Photoshop), como é o caso do nosso amigo Zé Marafona que, como sabemos, trabalha imenso com montagens, o que, hoje em dia, não faz de todo sentido numa plataforma analógica.
 
O resto, é trêta, como por exemplo, a história mais repetida pelos "pixelmen":
 
-É que com o digital, gasto menos dinheiro!
 
Ora isto é a mais pura patranha! Uma médio formato usada, compra-se por tuta e meia e uma ampliador usado custa meia tuta! Em contrapartida, os gajos que eu conheço que aderiram mais cedo ao digital, desde 2001, já compraram 5 ou 6 máquinas de 2MP, 3.3Mp, 4MP, 5MP, 6MP, 8 MP e, neste momento, preparam-se para a de 10, 12 ou 16 MP. Os japoneses agradecem...
Claro que, entretanto, foram mais uns cobres para cartões, baterias, lentes, computadores (que é necessário ir mudando, por causa da memória que as maquinetas vão "comendo"), impressoras com mais PPP, papéis, tinteiros, CDs, DVDs, e sei lá mais o quê... Ah, já sei, o Epson P-2000 ou o 4000, para visionarem e armazenarem as fotografias.
 
Pois eu, cá continuo com a minha velha Pentax 67 à qual se juntou mais recentemente um par de Rolleiflex, uma dos anos 50 e outra dos anos 90, mais uma maquineta da Jobo para revelar películas e o que é um facto é que não tenho visto fotografias em papel (feitas com máquinas digitais) que batam em qualidade as minhas, as do Miguel Mealha, do Manel Luis Cochofel e as do Luís Henriques, por exemplo. Isto, só para mencionar alguns dos que me são mais próximos...
 
As fotografias que tenho feito ultimamente, já não têm muito a ver com as que tu e o Zé viram no Estoril. A coisa tem evoluído...felizmente.
 
Por outro lado, continuo a trabalhar com máquina digital, embora só a utilize para trabalho comercial. Tenho uma Canon EOS 350 D, que acho uma maquineta fabulosa para trabalho comercial. Eu não sou um fanático do analógico, sou um fanático da fotografia, as máquinas são, para mim, ferramentas e, como tal, utilizo para cada fim, a chave de fendas, estrela, de bocas ou sextavada mais indicada para cada trabalho.
 
No entanto, quando saio para fotografar "para mim", pego mas é na minha Pentax 67, Rolleiflex, Wista 4x5 ou Linhof 4x5, pois então!!!!! Não há nada melhor para o tipo de fotografias que faço.
 
É preciso não esquecer que, para fotografia de paisagem, os movimentos de lente e back das grande formato, são imprescindíveis para quem pretende fazer a coisa com seriedade! Isto não tem nada a ver com o tipo de suporte (analógico ou digital) e, sim, com o facto de se poder obter uma profundidade de campo impossível de se atingir com uma máquina que não permita movimentos...
 
1 grande abraço,
 
NSD"
 
Praia Azul de Nanã Sousa Dias
 
 
 
E agora a minha opinião que o Nanã já conhece e que vou tentar agora resumir:
 
Quem vê os trabalhos do Nanã em papel fica impressionado... É, de facto, duma qualidade a toda a prova, e, estou de acordo, difícilmente se consegue aquela qualidade em digital...
 
Também estou de acordo que o digital poderá não ser mais barato neste momento particular por razões de mercado, i.e., há muito material bom analógico disponível dada a quantidade de gente que está a abraçar o digital e que, na saída, vende barato o seu equipamento...
 
No entanto (e começa aqui os "noentantos"), sem ser totalmente impossível, seria difícil para mim continuar a fotografar com a frequência com que o faço e que gosto se não fosse o digital... Definitivamente, para mim, é mais cómodo o digital... Uma vida profissional absorvente em termos de horário, como a minha, pode ser um constangimento a uma prática de fotografia analógica como a dos autores que o Nanã referiu a título de exemplo no seu e-mail... Mas, como já disse, não é impossível mas, se calhar, a minha atitude e a atitude de milhares de outras pessoas que fazem umas fotografias tivesse que ser alterada...
 
Depois há aspectos na fotografia digital, como a possibilidade de acertos rápidos nas imagens (vejam-se os programas de revelação raw p.ex.), manipulações e montagens (com "Photoshop" por exemplo), que, neste momento, estão práticamente fora do actual âmbito do analógico... O próprio Nanã reconhece no e-mail no ponto 2 das razões de abandono do analógico, quando diz o seguinte: Sai do analógico quem "Depende duma plataforma de edição digital (ex: Photoshop), como é o caso do nosso amigo Zé Marafona que, como sabemos, trabalha imenso com montagens, o que, hoje em dia, não faz de todo sentido numa plataforma analógica."
 
O jornalismo e alguma fotografia comercial também não dispensam o digital como bem reconheceu o Nanã que até têm uma 350D (eu tenho duas Smile).
 
E depois, sem querer fazer publicidade e também sem querer equiparar as minhas impressões às do Nanã, devo dizer que se conseguem neste momento muito boas impressões, até de pretos e brancos, com uma impressora A3, tipo "Epson Stylus Photo R2400", desde que afinadinha com os papeis e o monitor.
 
A título de conclusão: Penso que neste momento há lugares para ambas as "ferramentas", analógica e digital. O analógico, no entanto, bem trabalhado, nalguns tipos de fotografia, pode ainda atingir níveis bem superiores, mesmo quando comparado com o melhor digital.
 
Definitivamente, para mim que conheço os dois lados da questão (ainda faço umas coisas com 6X7), o digital é cómodo e, a sua qualidade, tem vindo a crescer de forma exponencial...
 
Já no fim deste artigo, para finalizar, deixo aqui uma frase do Nanã que, na minha opinião, resolve esta velha questão do analógico versus digital, fazendo até com que o seu e-mail, afinal, seja menos controverso que o que o meu título do artigo sugeria no início:
 
 "Por outro lado, continuo a trabalhar com máquina digital, embora só a utilize para trabalho comercial. Tenho uma Canon EOS 350 D, que acho uma maquineta fabulosa para trabalho comercial. Eu não sou um fanático do analógico, sou um fanático da fotografia, as máquinas são, para mim, ferramentas e, como tal, utilizo para cada fim, a chave de fendas, estrela, de bocas ou sextavada mais indicada para cada trabalho." 
 
 
Nuance #45 de Nanã Sousa Dias
 
 
Mais fotos do Nanã (daquelas em que as impressões nos deixam de boca aberta Smile) em:
 
 
 
Perafita, 18 de Dezembro de 2006
Zacarias Pereira da Mata
 
 
 
 
 
 
 

 

 


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2006/12/16

Matosinhos, arrastos e Thousandimages

Matosinhos e as minhas primeiras longas exposições 

 

Hoje as pessoas conhecem Matosinhos como sendo uma cidade nova, com prédios altos e desenvolvida; que fique claro, no entanto, que prédios altos, na interpretação que eu tenho das urbes e da vida, não são sinónimo de desenvolvimento... 

Ora, no início dos anos 70, Matosinhos ainda era uma cidade industrial, que embora já a decair, tinha ainda o maior número de fábricas de conserva de peixe do mundo. Estas fábricas com altas chaminés feitas de tijolo burro misturavam-se  com casas baixas, algumas duma classe média abastada de donos de fábrica, armadores da pesca da sardinha e do arrasto e mestres de pesca...

A Vila  - apesar de Vila era considerada "cidade" importante -  reconheço hoje, acabava por ter uma arquitectura engraçada, com casas  desenhadas ou inspiradas pelo nosso vizinho, Siza Vieira, e outras que embora com desenho, como a minha, tinham um estilo estranho, com pastilha dos anos 60 a conviver com azulejos da santinha padroeira lá de casa. Para juntar a tudo isto convivia-se com as fábricas da conserva,  com cafés, muitos cafés, com armazéns de peixe, armazéns de redes das várias empresas de pesca do concelho, bares de alterne (o "Moínho Vermelho" foi dos primeiros do país para servir o porto de Leixões em crescimento), confeitarias - a "Primavera" dos Magalhães era uma delícia - e as pujantes marisqueiras, frequentadas por comerciantes, políticos, industriais e artistas (foi lá que eu vi pela primeira vez a Amália), tipo de restauração que tem ainda actualmente o maior sucesso e que nasceu do brilhante cérebro hoteleiro do meu amigo Henrique Torres.

Até algumas "ilhas", vielas com várias pequenas casas, onde viviam parte dos pescadores, tinham graça apesar de reconhecermos que nem sempre tinham as melhores condições.

Esta confusão, aos meus olhos fotográficos da altura, não tinha lá grande graça (vá-se lá saber porquê?)... No entanto, a partir do princípio da noite, a cidade ganhava uma estranha calma e harmonia, os contrastes esbatiam-se e, mais uma vez aos meus olhos, nascia uma nova cidade, linda, diferente, que eu fotografei à exaustão em P & B. Por causa disso, através de várias tentativas, acabei por aprender a dominar razoávelmente a técnica daquele tipo de fotografia nocturna muito específica. Infelizmente mais de trinta anos depois sobra muito pouco e nada de decente que vos possa ser mostrado....

Numa tarde de Março de 2000, recentemente regressado à fotografia, em conjunto com o Zé Marafona, fui fazer umas fotos à praia de Labruge... A noite nasce ainda cedo em Março e, já no fim da sessão fotográfica, o Zé sugeriu que fossemos ao bar de S. Paio, propriedade dos nossos amigos D. Emília e Sr. Oliveira, beber uma cerveja já que não tinhamos luz para continuar a fotografar. Eu insisti, com esperança de fazer qualquer coisa engraçada...

 Apesar do Zé não estar muito convecido, teimei porque me lembrei de algumas experiências com fotos de arquitectura de Matosinhos que tinha feito em cachopo e que originou a primeira parte deste artigo, e acabei por fazer a primeira foto daquilo a que parte dos membros do Thousandimages, convencionaram chamar actualmente, de forma depreciativa, "arrasto", e que aqui vos mostro... 

Crepúsculo de Labruge #1

 

O "arrasto" e o "Thousandimages"

 

Não é meu propósito hoje insistir na técnica das fotografias nocturnas (a maioria das fotografias que se vê por aí, incluindo algumas minhas, até são de crepúsculo) mas sim dizer-vos por que razão não interpreto os meus nocturnos e crepúsculos como fotografias "menores". Por serem poucas as razões, passo a enunciá-las: 

. Domino razoávelmente a técnica... Hoje em dia, com o advento do digital, porém, há mais gente a dominar a técnica, até com alguma mestria... alguns são membros do "Thousandimages"...

. Deixo que a minha alma se funda com a do ambiente. É estranho isto, mas eu sei que muita gente me compreende...

. Trabalho muito... Normalmente saio arrasado duma sessão fotográfica destas.

. De vez em quando paro uns tempos, principalmente quando começo a ficar saturado...  

. Nunca fiz "arrasto" pelo "arrasto" embora, admito, por vezes, o chamado "arrasto" seja indispensável na composição e/ou para traduzir o que penso e sinto no momento da fotografia.

 

Agora vejam e chamem-lhe "arrastos" se quiserem:

 

Raios de luar

 

Labruge fervente

 

Crepúsculo de Labruge #2

 

Cascatas do Atlântico

 

Neblinas do Marreco 

 Poderia ter escolhido mais uma dúzia de fotos com qualidade semelhante a esta (nem sei se estas serão as minhas melhores deste tema) mas penso que esta amostragem é o bastante até porque tenho outros artigos à volta deste assunto em que terei que utilizar essas outras imagens...

A título de conclusão: Apesar de também me chatearem alguns exageros, já que se colocam demasiadas fotos no site "Thousandimages" à volta deste tema e sobretudo algumas em que o que prevalece, de facto, é o "arrasto" pelo "arrasto",  parece-me também que titular de forma depreciativa de "arrasto" algumas excelentes fotos que surgem nos sites não abona quem assim as titula...

Há iguais exageros nas fotos de Nú, PDS, natureza, aves, macros, etc., no entanto, quando surgem fotos razoáveis ou até de qualidade superior não devem ser subestimadas com epítetos depreciativos, só porque pertencem a um determinado tema...

 

Perafita, 16 de Dezembro de 2006

Zacarias Pereira da Mata

www.zacariasdamata.com 

 

Permitam-me desde já realçar este comentário em 17/12/2006 do João Castela Cravo que traduz também, de alguma forma, muito do que eu penso sobre este assunto:

 

"Eu ainda não consegui perceber o que são fotos menores e maiores, ou temas menores e maiores, ou... aliás não quero perceber e gostaria que ninguém percebesse. Há fotos boas segundo determinados preceitos (que até vão mudando), há fotos de que se gosta, há fotos que atingem objectivos presentes na intencionalidade e na função. Cada vez mais a fotografia não é fotografia mas sim fotografias, mas é pena que cada vez mais os fotógrafos se arroguem em defensores da "verdadeira" fotografia, tal como censores da verdadeira fé...

Grande abraço Zacarias e deixa-me dizer que gosto muito dos teus arrastos."

João Castela Cravo

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 00:30:00 | Link permanente | Comments (8) |

2006/12/12

Histórias de Povo

Se calhar, em teoria, até têm razão as pessoas que defendem que as imagens da Net têm que ter autorização prévia para poderem ser utilizadas. O ideal seria, de facto, que assim fosse...

Não é possível nos tempos que correm que isso aconteça, prova-o a prática. Este assunto - eu sei - daria pano para mangas...

Bem, de qualquer forma, para mim, na minha cabeça, este assunto está arrumado, i.e., basta-me que não utilizem as imagens para fins comerciais e que indiquem o nome do autor...

... e depois há coisas como esta que publico hoje que eu não teria oportunidade de ler, se não fosse o facto de terem utilizado uma imagem minha...

Assim sendo darei hoje início à publicação de um ou outro trabalho constante em blogs em que foram utilizadas fotos minhas para ilustração ou que até tenham inspirado os textos...

Começo por este da "Amita I" que tem dois belíssimos blogs onde constam algumas autênticas joias:

branco-e-preto.blogspot.com

brancoepreto.blogs.sapo.pt (old blog)

 

Pontes do Porto #2

Trôpego, desalinhado
Trazendo o peso dos anos
Metidos na algibeira
Lá vinha o Zé, esgotado
Em seu passo arrastado
Descendo a escadaria
De pedra escura e fria
Para os lados da Ribeira

"Medo? Não! O Zé não tinha!"
O consenso era geral
Na tasca do Ti Jaquim
Tão cheia de pessoal
Todas as vozes se abriam
Numa algazarra sem fim

Inda puto endiabrado
Danado p'rá brincadeira
De fundilhos remendados
Surripiava o que via
Pão, fruta, rebuçados
Tremoços às vendedeiras
E de olhar amarotado
Assobiava e sorria

Medo?! O Zé não tinha!
Clamavam a um tempo certo
Era um líder, era o chefe
Do séquito que o seguia
Quando começava a feira

Chegada a puberdade
Em abono da verdade
Justiça lhe seja feita
Não havia rapariga
Que não caísse na graça
Daquele olhar trocista
Da sua meiguice inata
A que a bondade sujeita

Ora afoito ora arredio
Sua sorte foi tentar
Tornou-se embarcadiço
Do bacalhau luzidio
No Norte que se diz mar
Entre choros e desditas
Nos lenços das belas Marias
Acenando pelo cais

Imigrou, sei lá que mais…
O seu rasto se perdeu…
De quando em vez
Uma letra aparecia
Breve e tão fugidia
Que o povo da Ribeira
Murmurava: "Talvez
Apareça nesta vida"
E foi o que aconteceu.

Na tasca do Ti Jaquim
E não sendo vez primeira
Uma interrogação se abria
Então porque assim descia
Trôpego, em desalinho
Quase sem nexo nem tino
A calçada da Ribeira
Se, medo, o Zé não tinha…

Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 20:30:00 | Link permanente | Comments (6) |

2006/12/10

Jacob Maersk, uma foto e uma história...

In short
Name: Jakob Maersk
Date: 29 January 1975
Location: Portugal
Accident area: Entrance to Leixoes harbour, Porto (Portugal)
Ship type: Oil tanker
Date built: 1966
Flag: Danish
Type of pollutant: Iranian crude oil + Bunker C
Quantity spilled: 84,000 tonnes
Reason for spill: grounding
Last update: April 2006



On 29 January 1975 at 12:30 pm, the oil tanker Jakob Maersk hit a sandbank while trying to enter the harbour. A few seconds later, there was an explosion in the engine room. The oil tanker caught fire and broke into three parts. The central and the stern parts sank while the bow part remained afloat. It ran aground on the beach a few days later. The explosions destroyed all the main tanks of the oil tanker and significant quantities of crude oil leaked from the wreck. A certain amount was partially burnt by the fire, another part of the oil was dispersed at sea or washed up on the coast.

On the days when the fire was at its worst, the flames were 100 metres high. The sky above Porto was darkened by a thick black smoke for several days. 7 out of the 17 crew members died during the disaster, as most of them were in the engine room during the explosion. Several inhabitants living in this area were sent to hospital because of the smoke.

A follow-up operation was set up with aerial suveillance patrols. The explosions and the fire raged on the wreck for the two first days, preventing any oil recovery attempt at sea. Collaboration between the Ministry of fisheries, the Army, the Navy, the ship owners, Shell and a large part of the local population allowed rapid action to be taken to limit the damage. A floating boom was installed in the harbour entrance to prevent oil slicks from entering the harbour. A straw barrier surrounding the wreck retained the oil sufficiently until boats had spread dispersants. The most affected beach was the shore immediately adjacent to the Jakob Maersk. Clean-up operations began with the removal of the upper sand layer. Dispersants were also spread on the sand. Wave action facilitated the elimination of oil from the rocks. It was estimated that the fire around the ship burned between 40,000 and 50,000 tonnes of oil, that 25,000 tonnes drifted at sea and nearly 15,000 tonnes were washed up on the beach. Hydrocarbon traces were found on beaches situated 50 km from the wreck. The majority of the ecological damage was observed on the foreshore. In rocky areas, seaweed (Fucus sp.) and molluscs (mussels) were found dead. But growth was resumed a few months later and mussels populations recovered from the accident. No harmful effect was observed on fish populations but the taste of fishery products was altered temporarily. Very few birds were affected, at least in the coastal zone. In the course of the first week, only half a dozen oiled birds were found in north Porto.

The cost of the catastrophe was estimated at 2.8 million dollars by OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development).

 

Centre de Documentation, de Recherche et d'Expérimentations
sur les Pollutions Accidentelles des Eaux

 

 http://www.cedre.fr/

 

 

 

Não me lembro de todos os pormenores, mas confirmo que não foi muito longe da hora de almoço que o acidente ocorreu. 

Tinhamos ouvido na "Matosinhos Pesca", rádio local Marítima, pela voz do meu amigo Sr. Almeida, que a "Levante", traineira da pesca da sardinha governada pelo Mestre Augusto (meu pai), chegaria daí a pouco tempo à doca. Adivinhava-se que a maré (pesca) ia ser boa por vários indícios que não cabe aqui detalhar...

Calmamente e porque ainda faltava algum tempo, resolvi, antes de me dirigir à lota, ir primeiro à praia de Matosinhos, onde, seguramente, encontraria o meu pessoal... Bem, de facto encontrei-os, mas a correr esbaforidos pela Rua Tomás Ribeiro acima...  Fiquei um pouco desiludido com estes meus amigos, malta da pesada (Matosinhenses), já com os seus 17/18 anos, da minha idade, alguns ainda mais velhos, que normalmente não tinham medo de nada e que, agora, estavam a fugir... Era ridículo... Resolvi continuar em direcção à praia, apesar de estarem a gritar comigo para que não fosse...

Quando lá cheguei assisti a um espectáculo de Dante, com o horizonte, provávelmente (nestas coisas é preciso cuidado porque a emoção não nos deixa ser precisos), em centenas de metros, a arder. De seguida deram-se várias explosões ... Na sequência destes acontecimentos não sei se 6 ou se 7 pessoas morreram a bordo do Jacob... Algumas lágrimas rolaram pelo meu rosto apesar do choro não ser muito habitual em mim... Chorei por quem estava dentro do barco, chorei pelos meus amigos das máquinas e pelo meu cão "Leça" que tinham morrido na traineira "Micéu" (a velha) em situação semelhante uns anos atrás. A "Micéu" velha era a traineira campeã das campeãs que em conjunto com a nova "Micéu" e a  "Levante", bem como com mais meia dúzia de traineiras sediadas em Leixões, Peniche e Figueira, eram consideradas como das mais eficientes na pesca do cerco da sardinha.

A "Levante", como eu previra, vinha carregada de sardinha, mas resolveu virar a estibordo ao assistir a uma das explosões do Jacob que, ainda por cima, estava exactamente na entrada de Leixões... Os "mirones" e alguns dos tais meus amigos, por sua vez, com o acalmar das explosões, foram-se aproximando da areia molhada da praia de Matosinhos e cuja companhia acabou por me confortar, mesmo sem que eles soubessem...

Eu era um puto na altura e nem me lembrei de ir buscar a minha 1000 da Asahi Pextax... Limitei-me a filmar aquele espectáculo no dia seguinte em Super 8 e fazer esta foto, penso que umas semanas ou talvez mesmo um mês depois... Esta foto, curiosamente, foi feita no seguimento de uma zanga com a minha namorada que é hoje a minha esposa... Nunca cheguei a saber se a imagem saiu assim, triste, dramática, por causa da poluição que se seguiu (terrível), pelos mortos (tantos neste e tantos noutros desastres semelhantes que tem a ver comigo e com a minha família e que às vezes, vezes de mais, me atormentam) ou se pela zanga de namoradinhos da altura...

Não foi um acontecimento menor. Até há uma década atrás este era considerado um dos 12 acidentes mais graves da história dos petroleiros, com resultados graves para a fauna, talvez não tão graves como o que aconteceu recentemente na Galiza devido ao incêndio que se seguiu às explosões e porque as medidas tomadas na altura, acertadas, impediram que o acidente em termos de poluição atingisse outras proporções... É claro também que os Portugueses, até nas desgraças, coitados, não podem ter destaques... 

 

 Matosinhos, 10 de Dezembro de 2006

Zacarias Pereira da Mata

www.zacariasdamata.com

   

Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 15:55:43 | Link permanente | Comments (5) |

2006/12/08

Nanã Sousa Dias, talento e sofisticação...

Quando voltei à fotografia em 2000, depois de um interregno de vinte anos, fi-lo, em boa hora, através do  www.fotopt.net, primeiro grande site Português e em Português de fotografia. Nele estavam alguns nomes da fotografia Portuguesa e Brasileira, daqueles que eu conhecia da leitura das revistas e jornais da especialidade dos anos setenta...

Houve dois fotógrafos, no entanto, que aos meus olhos se destacaram de imediato no meu primeiro ano de site, o meu amigo de longa data , José Marafona, sobre quem já publicamos um primeiro artigo com a ajuda de João Castela Cravo e, Nanã Sousa Dias, de quem nos haviamos de tornar mais tarde bons amigos... Nos anos subsequentes acabei por descobrir outros grandes fotógrafos, como o Alfredo Cunha que muito aprecio mas que nunca conheci pessoalmente, e muitos outros com quem fiz amizade ou, pelo menos, troquei umas opiniões e ideias... Não há, porém, como diz o povo, "amor como o primeiro"... ...

Ora foi através deste site, i.e., através de um dos seus famosos almoços, o de Beja, que conheci pessoalmente o Nanã. Mantenho dele exactamente a mesma opinião que tive naquele primeiro contacto. Trata-se de um indivíduo brilhante, um artista, que aprecia e toca Jazz divinalmente, com muito bom gosto, educado, inteligente e com alguma sofisticação (características que, aliás, na minha opinião, estão bem reflectidas no seu trabalho fotográfico)  e que não têm lá grande conceito dos que têm a mania que sabem muito... Uma vez, em Castelo Branco, saboreando um bom naco de porco preto grelhado devidamente regado por um tinto fabuloso, disse-me: "Zacarias há quem me chame arrogante e se calhar até sou, mas sou-o porque não gosto dos medíocres, dos que sabem tudo e dos que não querem progredir..."

O Nanã, ao contrário do que se possa pensar, está sempre pronto a ajudar... Também não tem problemas em perguntar quando têm dúvidas e ouve com muita atenção aquilo que possamos trazer de novo... Ainda há não muito tempo no Estoril, em animado convívio comigo, com o Zé Marafona e com a Srª Arq. Olga Gouveia, pela noite dentro,  ao saborearmos os seus 30X40, quando o Zé Marafona, homem com alguma experiência em impressões tradicionais de preto e branco, lhe chamava a atenção para coisas que só quase eles conseguiam ver, humildemente, assumia os "erros" não tendo qualquer tipo de problema em dar a mão à palmatória...

Sinto-me previlegiado em ter amigos destes e compartilhar os seus êxitos. Vibrei com os  destaques no "Photo.net" do Nanã , vibrei quando em 2005 a revista americana "B and W Magazine", talvez a melhor publicação de fotografia Fine Art do mundo, publicou um brilhante artigo com uma entrevista e fotografias do Nanã, fazendo-lhe justiça e, de alguma forma, equiparando-o aos mais importantes fotógrafos de Paisagem. Ainda hoje me regozijo com as várias notas e artigos que vão saindo aqui e ali na imprensa... 

E, depois, foi este homem, em conjunto com o Zé Marafona, que me introduziu no médio formato que agora estou a deixar dada a crescente qualidade do digital... É aqui que eu divirjo um pouco do Nanã, já que ele está a fazer um percurso que eu não faria (porque não quero e porque não posso) no sentido do filme grande formato, apesar de ter que lhe reconhecer os resultados irrepreensíveis...

Deixo agora algumas fotos que escolhi para introdução ao seu trabalho com a promessa de, oportunamente, voltar aos seus portfólios de forma individualizada e cuidada. 

 

 

Mais fotografias do Nanã em:

http://www.photo.net/photodb/member-photos?include=all&user_id=521294

 

 

 

Biografia de Nanã Sousa Dias:
Nasceu em Torres Vedras, em 1957. Fotógrafo, músico profissional e produtor discográfico. Começou a fotografar na adolescência, tendo abandonado cerca de 2 anos depois, devido à crise económica que se instalou no país, após a revolução de 1974.
Em 1997, decidiu retomar a actividade fotográfica. Montou um pequeno laboratório em casa e adquiriu uma Hasselblad dos anos 60, com a qual começou a praticar.
Começou, nessa altura, a assimilar tanta informação técnica e artística quanto era possível, através de livros, revistas, exposições e Internet.
Em 2000 entrou para o site "Fotografia em Português", tendo recebido uma Menção Honrosa 15 dias depois e tendo ganho o galardão máximo do site, Autor do Mês, pouco depois. Foi, então, convidado a integrar o júri do site, tendo sido, também, um dos coordenadores do livro editado pelo site, que incluía algumas fotografias da sua autoria.
Tendo abordado vários temas, no início da sua actividade, concentra-se actualmente na fotografia de paisagem, retrato e nu em estúdio e fotografia urbana, maioritariamente, em preto e branco.
As suas influências são muitas, Ansel Adams, Edward Weston, Brett Weston, John Sexton, Henri Cartier- Bresson, Elliot Erwitt, Helmut Newton, Richard Avedon, Yousuf Karsh, Robert Mapplethorpe, Jeanloup Sieff, Arnold Newman, etc.
Seguidor do Sistema de Zonas, criado e desenvolvido por Ansel Adams e Edward Weston, imprime, em laboratório convencional, todos os seus trabalhos, sendo um amante da fotografia "Fine Art", em médio e grande formato.
Iniciou, em 2003, um ciclo de Workshops de fotografia de Paisagem, Sistema de Zonas, Retrato, Laboratório e fotografia de Estúdio, tendo efectuado vários cursos, em diversas cidades. Além dos Workshops, lecciona cursos de fotografia particulares e em várias instituições.
Ao longo dos últimos 4 anos, tem participado em vários sites nos Estados Unidos, Brasil, Rússia, Dinamarca, Alemanha e Portugal, tendo recebido numerosos prémios e distinções. Actualmente, faz parte do júri de 2 sites interactivos, em Portugal e nos EUA.
Os seus trabalhos foram publicados em várias revistas nacionais e estrangeiras, bem como em livros técnicos, distribuídos em todo o mundo, por uma conceituada editora inglesa de livros e revistas de fotografia.
Participou em várias exposições colectivas e individuais tendo, neste momento, agendadas 3 exposições no Brasil e várias em Portugal.
Em 2005, a revista americana B and W Magazine, considerada a melhor publicação de fotografia Fine Art do mundo, publicou um artigo com uma entrevista e fotografias de Nanã Sousa Dias, colocando-o entre os mais importantes fotógrafos de Paisagem da actualidade.
Trabalhos publicados em revistas e jornais:
Super Foto Practica – (Portugal) 2000/2001/2003
1º de Janeiro – (Portugal) 2003
Egoísta – (Portugal) 2003
Fotografe Melhor – (Brasil) 2004
Elle – (Portugal) 2004
Egoísta – (Portugal) 2005
Fotoplus – (Portugal) 2005
Black and White Magazine – (USA) 2005
Livros:
Fotografia em Português - Portugal 2001
Outdoor Lighting Nudes – UK 2003
Camera Craft Nudes – UK 2003
Camera Craft Black and White – UK 2004
Guide to Outdoor Photography – UK 2004
Exposições:
Almada (Galeria Municipal) 2001
Almeirim (Galeria Municipal) 2003
Torres Vedras (Paços do Concelho) 2003
Castelo Branco (Galeria do IPJ) 2004
Torres Vedras (Cooperativa de Comunicação e Cultura) 2004
Porto de Mós (Ecoteca Municipal) 2004
Lisboa (Galeria do Sacramento) 2004
Figueira da Foz (Centro de Artes e Espectáculos) 2005
Espinho (Galeria do Casino Solverde) 2006
Workshops:
Torres Vedras (Paisagem) – 2003
Castelo Branco (Paisagem, Laboratório) – 2003
Braga (Paisagem) – 2004
Porto de Mós (Paisagem, Laboratório) – 2004
Caxias (grande formato) – 2004
Caxias (Retrato) – 2004
Matosinhos ( Paisagem) – 2005
Caxias (Paisagem) - 2005
Torres Vedras (Retrato) - 2005
Lisboa -( Paisagem) 2006
Porto - 2006 ( Paisagem)
Lisboa - ( Paisagem) 2006
Porto - 2006 (Retrato)

 

 

 

Perafita, 8 de Dezembro de 2006

Zacarias Pereira da Mata

 

www.zacariasdamata.com

 

 

Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 17:00:00 | Link permanente | Comments (0) |

2006/12/02

Canon 50mm f/1.4 e a fotografia anti-stress

 

 ...Ou uma "Review" à minha moda... 

 

Canon EF 50mm f/1.4 USM

So-called "normal" lenses are not in vogue right now. For a long time a 50mm lens was what was sold with a camera body and the only real choice was whether to get the f/2.0 or spend a bit more and get the f/1.4 version. Today zooms predominate. But, zooms are generally slow. 

At f/1.4 this lens is one to two whole stops faster than almost anything else I own. I don't use it often, but when I do — particularly at ISO 800, I'm able to shoot in extremely low light conditions. Considering the high image quality that this lens is capable of and its relatively low price, I consider it a must for every photographer's kit.

A normal lens is likely the hardest to become proficient with for beginners. It lacks the extreme coverage and excitement of a wide angle and the compression and intimacy of a telephoto. Yet, for street shooting it's almost ideal. Probably half of Cartier Bresson's work was done with a 50mm lens.

 

Estava farto de ler críticas negativas do tipo "é mal construída", "o foco é barulhento ou/e pouco suave", "só faz fotografia a partir de f/não sei quantos"... Este tipo de crítica estava a incomodar-me ao ponto de quase inviabilizar a compra de uma lente que eu esperava poder permitir, finalmente, concretizar a fotografia que ia na minha cabeça. Felizmente que li a "review" supra dum site que interpreto como sério, "The Luminous Landscape", e que, definitivamente, me fez decidir pela sua compra.

Mas afinal o que é que eu queria?

Eu queria chegar a casa ao fim da tarde e poder ir dar uma volta pelos campos e pelas praias vizinhas e fazer umas fotos (principalmente a partir da mudança da hora em Abril), sem compromissos, sem tripé ou flashes. Lembrava-me com frequência de uma velha 50mm Asahi Pentax/Takumar que abria a F/2 (por aí) que tive em meados dos anos 70, uma lente com qualidade e que permitia fazer fotografia com o diafragma quase todo aberto. Era isso que eu queria... Eu queria "DESSTRESSAR"...

Pois é caros amigos fotógrafos e leitores em geral, a expectativa não se gorou...

Apesar de reconhecer que já vi melhor construcção em objectivas Canon, de que o foco é um pouco barulhento, esquisito e, se calhar, de que o "USM" não é assim tão "USM", esta lente permite-te fazer fotografia logo a partir de f/1.8 sendo que, numa "guerra", em algum tipo de fotografia, já se faz qualquer coisa até com f/1.6.

E depois habituamo-nos aos pequenos defeitos já descritos, que ao fim e ao cabo não estorvam, acabando eu até por lhes achar graça... Smile ... Com uma óptica e uma luminosidade destas, os pecadilhos só podiam ser perdoados... Smile ...  

Outra coisa, os filtros são vulgares 58 mm...

Ainda não sei como se comporta em "street shooting"... Como sabem, o crop de 1,6 da câmara Canon 350D transforma o 50mm em 80mm, ora, por isso, muito provávelmente, não seria o tipo de objectiva que o Bresson usaria, mas pode muito bem vir a ser a que o Zacarias da Mata vai usar quando voltar à rua, já que esta 50 mm com o já referido crop funciona como uma pequena tele, permitindo-me não ter que me aproximar tanto das pessoas (é que eu, com a falta de prática, perdi o à vontade que me permitia fazer umas coisas com distâncias focais de 35 e 50 mm nos anos 70... e, além disso, também não sou própriamente o meu amigo Rui Palha, expert nesta área de fotografia) ... E depois, a abrir tão bem como abre e com um ISO nos 400 (a m/ 350D com esta sensibilidade não gera grão que assuste), não vai haver viela do Porto, por mais escura que seja, onde não possa entrar...

 

Agora vejam alguns exemplos de fotos, na sua maioria com aberturas de f/1.8, feitas ao fim da tarde, algumas às 10H00 da noite de Verão (com o jantar à espera, esquecido)... Smile ... Acreditem que fazer este tipo de fotos, definitivamente, "DESSETRESSA"...

 

Marginal

Leixões

Deco

... E agora do Portfólio integralmente feito com fotografias desta lente, "Jardins de luz", do site www.zacariasdamata.com

Lírio da Duna no Crepúsculo

Reds

Sunset

Daninha

Sininhos

 

Não me lembro exactamente do preço que me custou, mas deve ter rondado os 350 Euros com o transporte. Foram bem empregues estes Euros...

 

Mais fotos com esta e com outras lentes em www.zacariasdamata.com

 

Prometo mais "reviews" com "estorinhas" para breve...

 

Zacarias Pereira da Mata

2 de Dezembro de 2006

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 18:06:54 | Link permanente | Comments (0) |

2006/12/01

Fotografia Conceptual de José Marafona, um artigo de João Castela Cravo

 

Penso  que o meu amigo João Castela Cravo têm aqui um muito bom artigo sobre a fotografia conceptual de José Marafona que não poderia deixar de reproduzir e que ilustrei com fotografias do portfólio "Delírios" do site www.josemarafona.com ...

 

Em Novembro de 2002, José Marafona publica no site fotográfico 1000imagens.com, um artigo intitulado “Conceptualismo na Arte Fotográfica”. Foi este o meu primeiro contacto com esta vertente da fotografia, que imediatamente me motivou um grande interesse, que aliás aumentou à medida que fui “descobrindo” o trabalho daquele fotógrafo.
“(...) a realidade pretendida pode ser (re)criada induzindo com isso um conceito, ou criando um conceito usando uma realidade existente.” (Marafona, 2002)
Do interesse intelectual, a pouco e pouco, passei a um estado de deslumbramento. O conceptualismo fotográfico era um caminho que se me afigurava como exemplar na procura de uma expressividade que a fotografia mais clássica pode negar.
“O conceptualismo aplicado à fotografia é uma “ferramenta” que pode ser ajustada por forma a criar fronteiras ténues entre estados mentais próximos do surrealismo, mas separados logicamente por uma pequena dose de razão.” (Marafona, 2002)
Comecei então a brincar com a manipulação digital de fotografias, como forma de experimentar caminhos. Não me sentia, nem técnica nem esteticamente preparado para criar fotografia conceptual. Havia, e ainda há, o pudor do aprendiz perante a obra do mestre (que me perdoe o José). Até que um dia arranjei coragem e inseri no 1000imagens, uma fotografia que incluí no tema fotografia conceptual. E foram alguns comentários positivos de companheiros e do próprio José Marafona, que me levaram a continuar.O que me atrai neste caminho fotográfico, é a possibilidade de criar (mais do que fotografar) através da fotografia. Criar um conceito a partir de ícones vários e distintos, recriar uma realidade, um cosmos próprio, normalmente onírico, sem qualquer preocupação de contar uma história, mas dando pistas para que a história exista. Entre o criador e o observador estabelece-se um laço, um laço entre o sonho e a realidade. Não há aqui (embora possa resvalar para) surrealismo. O surrealismo resulta de automatismos psicológicos, o conceptualismo joga com a razão, implica uma concordância icónica com a realidade. O surrealismo trabalha com o inconsciente, o conceptualismo cria consciência.Estabeleci a minha referência à obra de José Marafona, embora os meus trabalhos estejam longe da sua criação depurada e da sua qualidade de imagem, da mesma maneira que este autor refere a obra de Manuel E. A. Sousa, já falecido, seu compagnon de route, fotógrafo dos primórdios do conceptualismo português dos anos 70 do pretérito século. Do pouco que dele conheço, reforço o que diz Marafona, infelizmente Manuel Sousa está esquecido na história da fotografia portuguesa.A fotografia conceptual tem hoje uma ferramenta que Manuel Sousa não dispunha no seu tempo, os editores de imagem. Mais fácil se torna o trabalho, que naquela altura bem complicado devia ser. Mas é precisamente esta vantagem que provoca alguma incompreensão relativamente à fotografia conceptual. Muita gente, arvorada em purista, tal Castilho contra Antero, zurze neste tipo de trabalho, forte e feio. Felizmente que já se vão vendo alguns fotógrafos a experimentar, a fazer e a incluir os seus trabalhos nesta categoria. Em 2002 dizia Marafona “(...) uma viagem através dos meus medos, alegrias, frustações e ansiedades, apoiando-me aqui e acolá nas minhas contradições, aguardando forças para continuar num caminho que não tem referências de destino ou companheiros de viagem.”Afinal José, a sua viagem serviu para desbravar terreno!

Venteira/Amadora, 21 de Janeiro de 2004

João Castela Cravo

 

Voltaremos ao João Cravo e aos seus artigos... Entretanto fica aqui alguma coisa sobre ele que desenvolveremos oportunamente...

  • Age: 44
  • Gender: male
  • Astrological Sign: Pisces
  • Zodiac Year: Tiger
  • Occupation: Professor e Investigador
  • Location: Amadora

 

 

 Auto-retrato em demência cega

Foto e "perfil" constantes no blog http://cravofotoconceito.blogspot.com/

 

 

Aqui ficam as fotos do Zé que eu escolhi. Foi tarefa muito complicada dada a qualidade dos trabalhos...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

José Correia Marafona nasceu em 1952 em Vila do Conde. Entre muitas outras coisas foi fundador do famoso "IF" e professor de Fotografia.

 Diz dele no seu Site: "Embora tendo abraçado e experimentado por influências directas ou indirectas as várias vertentes da fotografia convencional, foi na fotografia conceptual que descobri, após um interregno de 20 anos, a verdadeira forma de me exprimir. Apesar de saber tratar-se de uma expressão altamente contestada e com poucos seguidores...é aí que me sinto bem, mesmo que praticamente só!!"

 

Voltaremos em breve à fotografia conceptual, ao Zé Marafona e a outros dos seus portfólios...

Matosinhos, 1 de Dezembro de 2006

 Zacarias Pereira da Mata

www.zacariasdamata.com

 

 

Escrito por Zacarias Pereira da Mata em 22:25:24 | Link permanente | Comments (6) |