Canon EOS 50D - Algo de novo a leste ou a oeste?
Foi seguramente uma das decisões mais difíceis que tive que tomar até agora em termos de escolha de equipamento fotográfico. Ainda hoje, passados uns meses, e depois de largas centenas de fotogramas, me pergunto se fiz bem em gastar os 1000 Euros que a 50D custou. No entanto, conforme o tempo vai passando e conforme vou captando imagens, cada vez mais me vou inclinando para o sim…

Como alguns provávelmente saberão já tinha deixado o 35 mm e o 6X7, quase definitivamente, há uns 2/3 anos atrás e trabalhava quase exclusivamente com duas Canon 350D que, com algumas limitações, lá iam fazendo o seu serviço. Sentia, no entanto, agora, necessidade de avançar para melhor equipamento, i.e., para ficheiros com mais massa e, se possível, com alguma daquela informação “subliminar” que o filme sempre conseguiu agarrar…
Antes da compra da 50D, tive a oportunidade de testar por umas boas horas a 40D e a Full Frame 5D. Esta experiência e a experiência com o equipamento que já possuia, sem me dar estatuto de especialista - estatuto que se calhar obrigaria alguns conhecimentos de engenharia que não possuo e estatuto que também não quero - permitiu-me pelo menos fazer esta “review”, ligeira, descomprometida, espero que prática, daquelas, como gosto de dizer, ”à minha maneira”…
Deixando-me de conversas e partindo de imediato para aquilo que realmente importa, devo referir que básicamente estou de acordo com o que se diz de menos bom da máquina. Devo desde já dizer, no entanto, que os “defeitos” normalmente apontados são, imho, corrigíveis ou até menos relevantes. Ora vejamos:
Performance ISO
Até 400 ISO não vejo grande diferença em termos de grão em relação a outros modelos com que trabalhei.
Nos 400 ISO, sensibilidade a que recorro com frequência, de facto, sobretudo em condições de luz complicadas, o grão é mais visível que nas minhas 350D e na 40D que tive oportunidade de testar. Os ficheiros, no entanto, não perdem detalhe e o grão, aos meus olhos, não é totalmente desagradável fazendo lembrar até, aqui e ali, o analógico. De referir ainda que o nível de ruído de cor é muito bom… Há situações em que, aquando da edição, mantenho o grão propositadamente. O ficheiro, quando entendermos necessário, reage muito bem, às vezes de forma surpreendente, à passagem do ”Neat Image” quando bem calibrado.
As sensibilidades de 800 e 1600 ISO, como se costuma dizer, são muito “usáveis”. Fiz recentemente uma quantidade grande de fotos na marginal de Leça da Palmeira à noite com estas sensibilidades e o resultado foi surpreendente em todos os aspectos. Para além da focagem automática ter funcionado bem com aquela luz relativamente fraca e com uma pontinha de névoa, os ficheiros, com grão naturalmente, tem detalhe com fartura. Não serão imagens para “stocks” principalmente se o “reviewer” for exigente
mas são excelentes para papel e para a Net. E depois quem não gosta de ver estes ambientes e outros do género bem reproduzidos, naturais, como tu os viste? Os modelos anteriores com que trabalhei - sempre na minha opinião - ficam algo longe da performance da 50D pela capacidade desta de reproduzir o que vês (perdoem-me o exagero, quase como no Médio Formato).
Qualidade do detalhe
Parecem-me um pouco injustas algumas criticas agressivas que li na Net quando a máquina foi lançada, embora como disse no início, lhes reconheça alguma razão.
Os ficheiros tem muita massa, naturalmente muito mais que os saídos de máquinas com sensores de 8, 10 ou até 12 MP e a explicação deve andar por aí. Dados os meus fracos conhecimentos técnicos a este nível não consigo explicar a razão por que isto acontece mas, em termos práticos, não é muito diferente do que acontecia com as digitalizações do filme.
A forma de ultrapassar isto, à semelhança do que acontecia com os pesadíssimos ficheiros saídos dos bons digitalizadores do tempo do filme, é dar-lhe um pouco de “Unsharp”. Posso garantir-vos que podem estar à vontade a este nível. Os ficheiros saídos da 50D aceitam níveis de “Unsharp” maiores que os da 350D, da 40D ou até que da mítica 5D.
Exigência de qualidade de lentes
Não me vou demorar aqui até porque há muita literatura na Net acerca deste assunto embora se perceba que tanto pixel só pode é ter fome de resolução nas ópticas. O que vos posso dizer é que sempre consegui resultados melhores, em qualquer máquina, com as lentes boas que com as outras, isto desde o tempo da minha Asahi Spotmatic 1000 (Pentax) do início dos anos 70…
… … ….
Tenho uma Canon 50 1,4, uma Canon 17-40 L, uma Sigma 120-300 2,8, uma Sigma 150 2,8 (macro) e várias lentes Takumar (Pentax) médio formato com adaptador, com os quais estou a conseguir resultados que considero bons ou muito bons. Já outras lentes que tenho para aí, daquelas baratinhas e que quase nunca utilizo, o resultado é mau, reconheço que ainda pior que nas minhas 350D. A solução para isto não é complicada, é não utilizar as lentes fraquinhas
!
Há uma situação intermédia, curiosa, que gostaria de referir:
Adquiri o ano passado uma lente recente da Sigma, a 120-400, daquelas leves, “portáteis”, relativamente barata, com anti-tremideira que utilizo muito para a fotografia sobretudo dos bichos, que tem tido um comportamento misto, i.e., às vezes sai com qualidade excelente outras vezes, coitada, mesmo em ficheiros bem expostos e bem focados, a coisa sai fracota, normalmente mais fraca que na 350D e na 40D. Para as situações de menor qualidade arranjei solução passando o peso das imagens, aquando da edição, dos seus normais 43M para 30 ou até para 20M. Por isso, apesar do que se vai dizendo, esta lente vai continuar a sair comigo e com a 50D, principalmente quando o destino for fotografar os “shorebirds” e as gaivotas das praias aqui da minha beira
White balance e Dynamic range
Francamente aqui, aos meus olhos, não consigo ver diferença quase nenhuma em relação aos modelos anteriores.
Pontualmente, muito pontualmente, reconheço, pode notar-se uma performance ligeiramente inferior no control de brancos em situações de luz artificial. A verdade é que nunca tive uma digital que fosse perfeita a este nível e testei e tive várias desde a minha primeira Olimpus de 3.3Mp.
Em relação à informação nas sombras e nas luzes mais altas acho que o comportamento da máquina é bom, nada diferente da 40D por exemplo. Se houver diferença (e até admito que possa haver), esta diferença é marginal e os meus olhos quase não conseguem vê-la.
De qualquer forma, se necessário, para estas performances, eventualmente ligeirissimamente inferiores, não há nada que um bom revelador raw não ultrapasse fácilmente.
Quanto ao resto a máquina é francamente boa, nomeadamente:
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É bonita; eu gosto…
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Ruído de cor muito bem controlado.
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As imagens são geralmente limpas, livres da maioria dos artefactos digitais que me incomodavam em modelos anteriores.
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Bom comportamento em longas exposições, importante para algum tipo de fotografia que vou fazendo.
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Ergonómica.
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Focagem automática em geral excelente e boa em situações de luz reduzida
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Brilhante a forma arranjada pela Canon de acesso rápido e confortável aos menus principais. Só por isto já valeu a pena fazer o upgrade dos modelos anteriores.
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Excelente os 6,3 fps; aquele digic 4 é seguramente uma peça de engenharia fabulosa. (Agora também vou dando valor à velocidade de disparo já que de há algum tempo para cá tenho feito os tais “Shorebirds”.)
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Possibilidade de AF-Micro-Adjustment.
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Silenciosa a disparar.
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Dust reduction funciona.
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As baterias rendem.
Para concluir:
O título deste post parecia querer sugerir mais qualquer coisa que o que foi dito anteriormente que - eu acho - já nem foi muito pouco… …
Pois é, agora aí vai a parte que pode trazer alguma controvérsia:
Ao longo desta última meia dúzia de anos, principalmente desde que as SLR digitais atingiram os 6MP, os fotógrafos tem vindo a discutir as vantagens do digital sobre o filme e vice-versa.
Nesta discussão, não tão “sexo dos anjos” como muitos faziam crer, havia um argumento determinante em que fui sempre obrigado a dar razão ao pessoal do filme, principalmente aos do Médio Formato, é de que o digital não conseguia apanhar o “subliminar” da escrita com luz, tanto na cor como no P&B. Pela primeira vez, pela qualidade de reprodução da luz, bem visível nos melhores ficheiros que até agora consegui, sinto que isso, com a 50D, foi de alguma forma atingido… Estamos no dealbar de uma nova era!!!!!
Dito isto, resta-me dizer o seguinte: se souberes antecipadamente que a 400 ASA tens grão, agradável mas visível, que com tanto pixel se calhar já não podes utilizar aquelas lentes que vem normalmente no Kit, que vais ter que ter mais cuidado a focar e que não podes tremer tanto no momento do disparo, só podes é comprar esta máquina. Se fizeres “passarinhos” e procuras qualidade, mesmo quando tens que fazer crop, então para ti é indispensável.
Para aquela malta do filme, se calhar até o do Médio Formato, é altura de pensar em adquiri-la, esta ou as novas FF, a 5D2 ou os modelos mais avançados que, inevitávelmente, acabarão por vir para o mercado no curto prazo.
Imagens minhas com este novo equipamento começarão a estar disponíveis dentro de alguns dias, como é hábito, no www.zacariasdamata.com
Perafita, 25 de Janeiro de 2009
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