Saturday, March 21, 2009

LX3 - Uma compacta fabulosa

Há muito que andava à procura de uma maquineta que não me denunciasse…

É, não tenho, nunca tive, muito à vontade a fotografar em ambientes onde esteja muita gente, sobretudo, quando o motivo da fotografia é essa gente…

Talvez por isso, apesar de achar que às vezes rossa o exagero, tenha uma profunda admiração pelo à vontade do meu bom amigo Rui Palha, cujo trabalho em termos de fotografia casual, de rua, trabalho agora adulto, é, na minha humilde opinião, um dos melhores a este nível…

É verdade que não é a máquina que me vai dar esse tal à vontade, nem se calhar, nesta fase, pretenda fazer exctamente o mesmo que o Rui, mas também é verdade que com a pequena LX3 deixei de notar tanta desconfiança nas pessoas e já consegui aqui e ali umas fotos embora, para já, pouco mais que “snapshots”. É um começo apesar de tudo…

Depois a pequena é uma excelente companheira. Acompanha-me para todo o lado, para qualquer ambiente e ninguém me chateia o que nem sempre acontece com as SLR ou com máquinas maiores… Esta maquineta, apesar de muito bonita, passa bem por uma vulgar “point and shoot” que a maioria das pessoas tem como inofensivas…

À semelhança do que acontece com alguns humanos, esta pequena máquina, sendo aparentemente inofensiva, como disse, do   tipo “point and shoot”, é na realidade uma máquina com recursos fabulosos, com tudo que uma SLR tem. Em termos de categorização podemos considerá-la uma compacta, das melhores a que tive até hoje hipótese de meter as mãos, melhor que a minha saudosa Olympus 35 mm do tempo do filme e a grande distância das outras maquinetas que possuí, já do tempo do digital, com sensores igualmente pequenos…

Dito isto passo a escalpelizar alguns dos aspectos que mais me sensibilizam nesta máquina:

1) Possui uma lente Leica, excepcionalmente luminosa, F2.0-2.8. É um zoom, considerado pouco ambicioso, mas que em grande angular chega a uns fabulosos 24 mm. Em tele, de facto, vai “só” até aos 60 mm o que muitos poderão achar pouco mas, para mim, para aquilo que faço com mais frequência, chega e sobra. Além disso, um zoom com tele de distância focal maior, seguramente, retiraria qualidade à melhor zoom em máquina pequena com que trabalhei até hoje. Quando preciso de utilizar zoom “à séria” recorro à minha 50D e à minha Sigma 120-300…

Em 24 mm, como seria de esperar numa máquina com um sensor deste tipo, tens distorsão. No entanto fiquei surpreendido quando abri os primeiros ficheiros, isto é, a distorsão é acentuada mas não chega a atingir níveis de autêntica aberração como em muitos zoom grande angular que para aí andam para SLR,s, por exemplo.

Como se sabe o sensor é pequenito, 1/1,63, embora seja ligeiramente maior que o da maioria das máquinas físicamente do seu tamanho. O tamanho do sensor, mesmo apesar da opção de poucos mas bons pixeis (10,1 MP), deveria impedir que se atingisse elevados índices de qualidade. Ora a conjugação desta lente com ISOs baixos, 80, 100, 200, tem-me permitido ficheiros de qualidade próxima aos conseguidos com as minhas SLR mesmo com boas lentes acopoladas.
 
2) ISO,s - Grão e ruído cromático

Excelente a 80 e 100 ISO.
Muito bom a 200 ISO.
Aceitável a 400 ISO.

Acima disto nunca utlizo. Fiz para aqui uns testes a 800 ISO e não fiquei fã embora, numa guerra, reconheço, seja perfeitamente utilizável. Acho, aliás, que com a abertura que a lente te permite e com a boa estabilização de imagem que a máquina possui, raramente sentirás necessidade de chegares aos 800 ISO.

3) Outra característica por que me apaixonei de imediato é a possibilidade de escolheres, apenas recorrendo a botão que tens para o efeito logo por cima da lente, o formato que mais gostas ou que achas que melhor se adapta à cena, 4:3, 3:2 ou, um que nunca tinha utilizado mas de que estou a gostar, 16:9. Como alguns já saberão não tenho muita preparação em engenharia e há coisas que para mim são um pouco difíceis de explicar mas, não pude deixar de constatar que o peso das imagens embora diferentes, não são assim tão diferentes nos vários formatos, o que quer dizer que esta possibilidade introduzida na máquina foi muito bem pensada. 

4) Comandos

Fáceis de aceder, a maioria em botões exteriores como nas melhores SLR.

Quando tens que recorrer aos menús não perdes muito tempo. É tudo, diria, ”amigável”. Recomendo de qualquer forma a leitura do PDF que vem com a máquina antes de começar a utilizá-la.

Tens também um pequeníssimo joystick como nalgumas das SLR. Lembra-te no entanto que ele é realmente diminuto e que preciasas de algum treino antes de começares a funcionar com a rapidez que algumas situações te vão exigir.

5) É uma máquina pesadinha atendendo o seu tamnho. Sentes solidez a trabalhar com ela. Bem acabada, quase como uma peça de joalharia e muito, muito bonita.

6) A imagem é limpa.Não tens aberrações cromáticas e ou outras das porcarias digitais que habitualmente se vê em ficheiros de máquinas com sensores pequenos e mesmo às vezes em SLR,s.

7) Quando a ligas não tens que ficar à espera para poderes fazer o disparo.
Podes fazer disparos sucessivos que ela responde bem.
É rápida a focar.
Excelente em termos de rapidez a quase todos os níveis o que indicia ter também um bom processador.

8) Foca muito bem e a exposição é normalmente correcta.

9) Bom, muito bom display, atendendo ao tamanho da máquina.

10) Estabilização de imagem é simplesmente excelente.

11) Tem raw. Aliás eu só trabalho em raw. O software de tratamento do raw que vem com a máquina é simples, rápido, prático… Eu diria: não é perfeito mas é eficiente.

12) A bateria dura. Comprei uma bateria suplente mas até ao momento não precisei de a utilizar.

13) Preço razoável atendendo à qualidade que, acredita, surpreende. Custou-me 390 Euros no Jesus da “Fotocinecolor”.

Conclusão: Ainda não perdi a esperança de ter uma, chamemos-lhe, “rangefinder”, com um sensor substancialmente maior que o da LX3 e com um zoom próximo deste, embora, já se sabe, físicamente maior. Enquanto isso não acontecer esta vai ser a minha companheira do dia a dia e que - não perdi a esperança - me irá a ajudar a desinibir na fotografia de rua de que gosto muito mas onde, até agora, não tenho tido grandes sucessos.

Perafita, 21 de Março de 2009

 
                                                 www.zacariasdamata.com

Posted by Zacarias Pereira da Mata at 13:42:42
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