Friday, February 23, 2007

Jorge Henriques - Uma exposição que deu que falar

Embora tenha a noção da carga negativa do termo que me foi dado a conhecer pelos colegas mais velhos no início dos anos 70, sinceramente, pouco me importa que o Jorge Henriques tenha sido “salonista” ou não…

Aliás quando comecei a tentar trabalhar de forma mais séria a imagem em 1973/74, tudo era classificado e nada estava bem… Estavamos em tempo de mudança, em ebulição… O cinema português, a que estava particularmente atento, estava já em mudança há mais de uma década e, sinceramente desiludidos, alguns putos como eu, embora baixinho, iam gritando que o “rei ia nú”… De facto a grande produção das décadas de 30, 40 e 50 tinham acabado e eram considerados trabalhos vergonhosos enquanto que coisas quase sem sentido, “modernas”, que pouca gente via e que hoje ninguém vê,  eram consideradas obras primas, coisas que ninguém se atrevia a criticar com medo de serem carimbados de incultos ou de “cromagnons”…

Agora que eu e mais alguns putos continuavamos a gritar - embora baixinho Smile - que o rei ia nú, lá isso continuavamos… Alguns desses putos hoje estão na organização de eventos que nos honram, o “Fantas” por exemplo, ou a trabalhar na América nesta área muito competitiva, com algum sucesso…

Por isso pouco me importa que classifiquem o Jorge Henriques seja do que for, o que me interessa é o resultado…

E o resultado, aquele que eu pude ver já depois da sua morte numa exposição no Centro Português de Fotografia, foi uma coisa assombrosa… Sem que eu tenha acesso, como muitos de nós portugueses, por falta de dinheiro, aos grandes espaços de Nova York, vou aproveitando o pouco que temos e, do pouco que temos, isto foi do melhor que vi até hoje, pela qualidade do trabalho, pela qualidade das impressões e pela disposição e espaço nobre que ocupava…

Só posso dar os meus sinceros parabéns às minhas professoras e amigas, Siza e Maria do Carmo, por esta e outras mostras de grandes fotógrafos portugueses. No entanto, porque eu sei que me hão-de ler e porque nem tudo são flores, deixai que o puto irrequieto e que às vezes incomodava com perguntas e afirmações despropositadas e anacrónicas, agora quase com 50 anos, vos diga:

Não se compreende que durante estes já largos anos de actividade do Centro Português de Fotografia, não tenha havido uma única exposição de fotógrafos da nova vaga, contemporaneos e pós foto.pt…

Agora já uso óculos de lentes progressivas mas dá-me a impressão que o rei continua a ir nú… 

 

 

P.S.. Gostaria de vos mostrar algumas imagens deste grande fotógrafo português mas foi-me impossível encontrar algo acessível. Espero, no entanto, que este artigo vos provoque vontade de pesquizar e de saber um pouco mais… Posso sugerir que comecem pelo CPF… O tabalho deste homem, garanto-vos, é inspirador…

 

Estas duas não são do Jorge, são do Zacarias feitas num domingo de manhã…Wink

 

Perafita, 23 de Fevereiro de 2007

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Posted by Zacarias Pereira da Mata at 20:43:15 | Permalink | Comments (7)

Friday, January 19, 2007

À deriva

Conforme prometido em artigo anterior aqui fica outro trabalho de que gosto muito em que foi utilizada uma imagem minha para ilustração. É mais um poema da Amita constante no Blog http://branco-e-preto.blogspot.com que só posso reputar de “Excelente”. O título é brilhante, imho. Parabéns Amita.

 

Fotografia constante no portfólio “Quanto do teu sal” de www.zacariasdamata.com

 

Emblemáticas, monocórdicas, arredias
Pelos dias pairam letras e palavras
Numa invasão programada
E de constância interrompida
Trespassando as paredes da casa

E alego convincente
- Amanhã vou!… - Ia…
Se o ontem no presente
Pelo nada se abria

E soldava-as lentas e leves
Num espartilho de sal e pedra
Na certeza desejada e incumprida
Daquele sorver de passos
Vozes, beijos, rever laços
Em lonjura adormecida

Sob a equidistante neblina
Adensada e caminhante
Embalei as velas do nosso barco
Numa serena deriva
Onde verdes peixes cantavam
Nos murmurados solfejos
De um mar de amor, paz e vida

Emblemáticas, monocórdicas, arredias
Dançam letras e palavras
Na lesta terminologia
De fortes correntes de água

posted by amita at 1:12 PM 

Domingo, Janeiro 07, 2007

 

Outros trabalhos deste e de outros autores se seguirão oportunamente.

 

Perafita,19 de Janeiro de 2007

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Thursday, January 18, 2007

Naufrágio do Veronese versus Luz do Sameiro

 

 

Ainda a propósito do “morrer na praia” e da tragédia da “Luz do Sameiro”, aqui fica um e-mail acabado de receber de um amigo meu a viver no Algarve, genro de uma das figuras mais carismáticas daquela zona, um pescador “campeão”, infelizmente já desaparecido, Mestre Emiliano.

O Albino Monteiro, apesar de viver no Algarve, foi nascido e criado em Matosinhos, Leça da Palmeira (quase meu vizinho). Têm um blog muito interessante, www.mardelevante.blogspot.com , cuja visita recomendo.

Aqui fica então a reprodução do e-mail, sem mais comentários:

 

“Caro Zacarias da Mata,

Partilho completamente a sua revolta pelo sucedido com o LUZ DO SAMEIRO e  
o seu trágico desfecho. Como homem ligado ao mar desde muito cedo (e  
continuo, para mal dos meus pecados) sei perfeitamente o que falhou  
naquele infeliz acontecimento. A prova do que tenho repetidamente afirmado  
está aquí neste artigo do Matosinhos Hoje que recorda o naufágio do  
Veronese há 94 anos. Falharam muitas coisas e por motivos absolutamente  
inaceitáveis, mas a falta de um lança-cabos (que existe a bordo dos nossos  
barcos e é obrigatório por lei) num corpo de bombeiros do litoral ou numa  
capitania, é absolutamente inacreditável. Há 94 anos foi isso que salvou  
mais de 200 passageiros do Veronese. Há quase 1 século salvou-se tanta  
gente em condições muitíssimo mais complicadas, conforme o artigo do  
jornal demonstra ( e lá se vê o foguete que levou o cabo para o navio) e  
utilizando meios muito mais rudimentares. Como é possível que ao fim de  
tantos anos e existindo no mercado aparelhos lança-cabos tão baratos e tão  
fáceis de manejar (é tudo em plástico), que permitem depois utilizar a  
boia-calção num cabo de vai-e-vem, se tenha chegado a este ponto de  
incúria? Como muito bem diz: SÃO OS CÔNAS DESTE PAÍS !
Saudações calorosas desde este canto do Algarve.”

www.matosinhoshoje.com


 

 

Um grande abraço para a toda a família Emiliano de quem tenho profundas saudades.

Ao Albino Monteiro, Leceiro dos quatro costados, para além do abraço que se impôe, segue também os meus agradecimentos pelo e-mail que se reproduziu e que, definitivamente, foi bastante esclarecedor.

 

Perafita, 18 de Janeiro de 2007

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Tuesday, January 9, 2007

A qualidade de Paixões Proibidas, RTP e o Sr. Dr. Almerindo Marques

 

Acabei de ver o primeiro episódio da nova novela da RTP, “Paixões proibidas”, e fiquei impressionado.

Foi uma surpresa completa…

Que qualidade!… Até a fotografia é boa, mesmo para mim que sou particularmente exigente…

Foi uma surpresa quase tão grande quanto a aceitação do Sr. Dr. Almerindo Marques para ocupar o lugar de Presidente do Conselho de Administração da RTP.

Habituado a vê-lo à frente de grandes Instituições Bancárias, algumas onde tive a sorte de trabalhar durante a sua administração, admiti, no entanto, que tivesse aceitado este desafio apenas para pôr nos eixos as conhecidas e desgraçadas finanças da RTP…

Conheci-o no Banco Fonsecas & Burnay onde, nos anos oitenta, pela primeira vez, mal assumiu o lugar de Presidente, resolveu pôr cá fora as Contas da Instituição sem “engenharias”, uma medida extrema, inesperada, “perigosa”, atendendo à época em que viviamos de domínio das grandes empresas públicas, que, de alguma forma, tinham permitido que boa parte dos empregados e público se tivesse esquecido do que era na realidade uma empresa.

Eu era ainda um puto, caixa, que estudava economia (curso que deixei pela metade, para mal dos meus pecados) e, confesso, na altura, armado em conhecedor da história da economia, torci o nariz, admitindo uma reacção menos boa do público, ou até, no limite, uma corrida desenfreada ao levantamento de depósitos Embarassed, tipo América do princípio do século passado. A Banca, ao tempo, reconheço hoje, padecia de alguns males maiores que precisavam de ser corrigidos. A “jogada” inteligente de publicar as contas, tal qual eram, acabaram afinal por justificar as medidas duras que foram tomadas nos dois primeiros anos de gestão do Sr. Dr. Almerindo Marques e que, sem dramas, foram aceites por toda a gente, público e trabalhadores, mesmo apesar da pressão dos sindicatos. Acredito que os próprios sindicatos não tenham utilizado todos os seus recursos (que eram muitos na altura) porque perceberam que o que estava a ser feito, tinha que ser feito… 

Reencontrei-o no “Barclays Bank” no início dos anos 90 como reponsável desta instituição em Portugal. Aí fiquei a apreciá-lo mais que nunca pela sua capacidade de realizar e comecei a perceber o que era o rigor e a qualidade. No limite, conseguiu com que o “Barclays” fosse o primeiro (não sei se o único) a conseguir o certificado de qualidade, processo em que, ao meu nível de comercial (gestor de conta senior), me envolvi com todas as minhas forças.

Se calhar não deveria ser assim tanta surpresa para mim a qualidade desta telenovela. Custar-me-ia a acreditar que qualquer coisa tão baixa, como outras telenovelas que por aí andam, pudessem sair duma casa gerida pelo Sr. Dr. Almerindo.

Assim sendo, dou graças, pela não exclusiva concretização do “apenas para pôr nos eixos as conhecidas e desgraçadas finanças da RTP” do início deste humilde artigo. De facto foi uma benção que a administração da RTP tivesse caído nas mãos de alguém com a competência de gestão, a cultura e o bom gosto do Sr. Dr. Almerindo Marques que (não me admira; sei que é assim) não pactua com tentações do fácil.

 Parabéns, Sr. Dr.

 

Perafita, 9 de Janeiro de 2007

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Sunday, January 7, 2007

Portfólio Corpo, do Zé Marafona

 

 

Não é, concerteza, uma visão do CORPO assexuada nem isenta de sensualidade, a do Zé… 

Aqui e ali há até uns laivos de erotismo…

Há também obras marcadamente controversas, e, isso, daquilo que eu penso da arte, é muito bom!…

No caso do artista José Marafona tenho dificuldade em falar de influências, embora, neste mundo globalizado , e depois de séculos de arte - elaborada como a entendemos hoje - cada vez menos se possa falar de “ilhas isoladas” de originalidade… Embora mais novo, foi contemporâneo de  Nobuyoshi Araki e Helmut Newton. Às vezes (sempre e só na minha opinião), aqui e ali, é inevitável notar-se uma ou outra aproximação a estes autores…

O Corpo, o Nú, da forma como o Zé os vê e representa, poderia ser uma das trilhas que poderia/deveria ter sido mais explorada, principalmente se tivesse ousado sair da labreguice portuguesa das ainda não muito distantes décadas de 70 e 80… Eu sei que a oportunidade surgiu através de convite formal para ir para outro país, mas o apego à família e a este cantinho florido à beira mar, se calhar,  não deixou que esta saída se concretizasse…

Tenho a certeza que, apesar de tudo, ainda não está acabado este portfólio… Wink … 

 

Mais imagens em www.josemarafona.com e, no disco do seu computador, mas essas temos que aguardar… Smile …

 

Perafita, 7 de Janeiro de 2007

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Monday, January 1, 2007

Morrer na praia #2

O Blog continua de luto …

 

Um pouco na continuação do artigo anterior…

 

Acho que esta imagem surgiu directamente dos meus pesadelos…

 

 

 

Perafita, 1 de Janeiro de 2007

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Saturday, December 30, 2006

Morrer na praia

O Blog está de luto

 

Três homens morreram e outros três estão desaparecidos, na sequência de um naufrágio de um barco de pesca, ontem, ao largo da praia da Légua, Pataias, perto de Alcobaça. Cena trágica, pois ocorreu a 50 metros da praia. Muita gente viu os pescadores morrer, desesperados, a pedir ajuda. O socorro demorou duas horas a chegar.

O único sobrevivente (com ferimentos ligeiros) é um homem de nacionalidade ucraniana, que teve ainda ontem alta do hospital de Leiria. As operações de busca e salvamento são retomadas hoje, às 08.00, confirmou o Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria.

O acidente aconteceu perto das 07.00, a pouco mais de 50 metros da praia. A embarcação, de nome Luz do Sameiro, tinha zarpado do porto da Nazaré às 06.00. “Foi perto das 07.00 que foi dado o primeiro sinal satélite, mas este primeiro sinal não foi conclusivo e esperamos pelo segundo. Por volta das 08.00 tivemos a confirmação da posição e do barco que era”, disse ao DN José Miguel Neto. O capitão do Porto da Nazaré suspeita que na origem do acidente possa estar algum problema de motor ou as redes que tenham ficado presas nas hélices.

Outra versão tem Hugo Henriques, um nadador-salvador, que com ajuda de um amigo chegou a estar dentro de água e muito perto dos tripulantes da fragata mas “foi impossível tirá-los de lá”, lamenta. “O alerta foi dado por um senhor aqui da aldeia que viu a embarcação virar, eram 07.00. Nós descemos à praia e entrámos dentro de água. Chegámos muito perto do barco. Nessa altura estavam quatro homens, de pé na cabina do barco, e outro estava sem sentidos”, conta ao DN.

E continua: “A corrente estava muito forte, a maré estava cheia e por isso eles nem conseguiam chegar à praia mesmo que quisessem.” Sem poder fazer nada, restou-lhes esperar pelo socorro, “que tardou. A Polícia Marítima chegou aqui sem qualquer equipamento de resgate e o helicóptero demorou mais de duas horas a chegar”, denuncia.

Manuel Gavina Maio é o dono da embarcação Luz do Sameiro. Ontem, os bens materiais de nada valiam perante a vida do seu filho, uma das vítimas mortais do acidente. Iná- cio Maio, mestre do barco, tinha 39 ano e era pai de três filhos. O desespero de encontrar o filho ainda com vida levou a mãe do pescador a percorrer o areal da praia da Légua vezes sem conta durante toda a manhã… As más notícias chegaram à tarde. Pediram-lhe para identificar o corpo.

Inácio Maio comandava uma equipa de dez pessoas. Mas ontem, quis o destino que só seis embarcassem com ele. José Elias Viana e Fernando Craveiro Cartucho foram duas das vítimas mortais resgatadas ontem. Permanecem desaparecidos João Craveiro Cartucho, José Maciel Ferreira e Ricardo Marques.

Dois corpos - um de manhã e outro ao início da tarde - foram resgatadas de dentro da embarcação. A terceira vítima deu à costa na praia Vale Furado. As operações foram interrompidas às 19.30. As buscas são hoje retomadas, às 08.00.

 
In “Diário de Notícias” de hoje 
 
 

Sra da Guia - Foto de Zacarias da Mata

 

Viemos juntos há mil anos, meus garbosos irmãos, todos filhos de um Deus maior do Norte…

Desembarcamos nas nossas praias; eram todas nossas, as praias…

Fizemos-lhe os barcos, ensinamo-lhes a navegar, fizemos-lhe o Império…

Voltamos ao norte nos lugres para lhes matar a fome… Ousamos descobrir pesqueiros, tão ao Norte que, ali, nunca tinha navegado ninguém… Fomos abalroados e torpedeados na 2ª guerra…

Os conas* enchem-nos de impostos e de taxas com os quais compram o peixe que nós pescamos mas que não podemos comer…

Nunca nos agradeceram, os conas…

Mas, ao menos, meu Deus, que não nos deixem morrer na praia… É o mínimo que os conas podem e devem fazer…

Vão dizer os conas outra vez: “que estaveis em zona proibida”, “que sois aventureiros”, “que arriscais em demasia”…

Se vós não fosseis assim - eu pergunto - a terra dos conas seria o que é? Será que este paraíso, o dos conas, teria alguma glória, que é vossa e que foi usurpada?… 

As mulheres - Imagem de Zacarias da Mata

Homenagem aos que morreram na praia, pescadores das Caxinas, da Poça da Barca e da Póvoa, filhos de Njord!

 

Que tenham vergonha os conas. O cú pesa-lhes tanto que não conseguem despachar-se, mesmo quando estão vidas em risco… Ponham os olhos na Guarda Costeira dos Estados Unidos que nem sequer tem a nossa tradição…

 

*”Os Conas”: Termo que se usa nas Caxinas, Poça da Barca e Póvoa (provávelmente noutros lados, também) para classificar homens flácidos, homens pouco despachados, homens sem coragem, homens que vivem à custa da mulher e/ou de outros, políticos que não tomam medidas ou que governam para se “encherem”, homens que se deixam dominar fácilmente, homens que evitam embarcar, homens que não assumem riscos mesmo quando é absolutamente necessário, etc., etc…

 

Perafita, 30 de Dezembro de 2006

 

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Thursday, December 28, 2006

Dúvidas do João

Ainda não sei qual a razão por que escolhi o portfólio do João Castela Cravo,  ”Aproximação ao Surrealismo”…

Talvez o tenha feito porque eu gosto de dúvidas e de quem tem dúvidas… E acerca deste assunto eu também tenho as minhas dúvidas… São muitas dúvidas, algumas que nem as quero expôr, mesmo apesar de se ouvir dizer com frequência que os blogs nasceram para libertar os pensamentos de quem os utiliza…

 … Mas temos que nos entender, i.e., se houver só dúvidas, nem conseguimos comunicar… 

Assim sendo, eu ensaiaria definir o surrealismo muito à minha maneira, de forma muito lata, muito terra aterra, mas que , se calhar, funciona. Eu diria então que o surrealismo é a arte de quem recusa os constrangimentos do lógico e racional e - acho que alguém também já o afirmou, não me lembro quem - que ultrapassam a consciência quotidiana, expressando o inconsciente e os sonhos…

Podia transcrever o manifesto do André Breton de 1924 mas acho que metade do pessoal não o ia ler e, para quem o lesse na integra, só acrescentaria dúvidas, mais dúvidas e dúvidas sem fim… Se assim é, fiquemo-nos pelo meu pobre ensaio de definição do parágrafo anterior… 

Então aqui ficam algumas imagens do meu amigo João Castela Cravo, com o respectivo título e sub-título (muito esclarecedores) do portfólio onde estão expostas:

Aproximações ao surrealismo…

Um conjunto de experiências em que, na prática, tento responder às minhas próprias dúvidas sobre surrealismo em fotografia.

 

João Castela Cravo

Professor e Investigador

Para quem quiser saber mais e ver mais:

http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=107

 

ou, “google it” Wink

 

 

 Perafita, 28 de Dezembro de 2006

Zacarias Pereira da Mata

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Friday, December 22, 2006

Francisco Pinto

… ou a força da dedicação …

Já nos conheciamos antes, mas foi no www.photo.net e no português www.fotografia-na.net que começamos de forma séria a trocar uns comentários e, mais tarde, umas ideias e desabafos por e-mail. Acabamos por ganhar amizade e, por isso, tenho acompanhado a sua evolução que me parece notável…

Reconheço que os primeiros trabalhos que vi deste meu amigo fotógrafo não me chamaram particular atenção, mas, com os anos, da sua dedicação, tem saído verdadeiras obras de arte…

As suas imagens são tão fortes quanto a sua dedicação. Ora vejam: 

 

 

 

 

 

 

 

Site pessoal: www.franciscopinto.net

 

 

 Biography
My name is Francisco Costa Pinto and I’m from Portugal. Grandson of a photographer, photography is a part of my life since I was born. I had my first camera at the age of 10, given by an uncle, also a photographer. Only at 18 I started taken photography more seriously, but I stopped 5 years later. 3 years ago, I started again, and I’ve been using all cameras I can get my hands on, medium format, small format, digital and analogue, from Polaroid to Lomo, Nikon, Olympus, Holga, pinholes, etc. More recently I concentrated on digital cameras. My preferences go to landscape photography, urban and natural.
Photo-galleries also at:
www.photo.net/photos/franciscocpinto
franciscocpinto.photopoints.com

CONTACT: mail@franciscopinto.net

 

O meu amigo esqueceu-se de dizer na sua biografia que é quase bacharel em informática… Bem, eu não posso garantir, mas  tenho quase a certeza de que não é alheio à escolha deste curso o facto de gostar de fotografia, edição de imagem, por aí … Wink …

 

 

Perafita, 22 de Dezembro de 2006

Zacarias Pereira da Mata

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Tuesday, December 19, 2006

Nanã na 1ª pessoa, directo e controverso

“Octopus” de Nanã Sousa Dias  
 
 
Não desgostou do artigo pubicado neste blog sobre ele, o Nanã.
 
Apreciou particularmente aquele bocadinho em que reproduzi parte da nossa conversa em Castelo Branco sobre a arrogância… Continua a achar que há muita gente que o rodeia que lhe espicaça essa arrogância, creio que pelos mesmos motivos invocados na tal conversa de Castelo Branco. Recomendo uma leitura do artigo publicado neste blog em 8 de Dezembro de 2006 intitulado “Nanã Sousa Dias, talento e sofisticação…” para se perceber…
 
Por outro lado temos tido ao longo dos anos longas conversas, quer pessoais, quer por e-mail, sobre a “ velha história do digital vs. analógico”. O último e-mail a propósito surgiu no seguimento do artigo já referido e que agora reproduzo, sic, com a sua autorização. A minha opinião deixá-la-ei para o fim.
 
 
 
“Quanto á velha história do digital vs. analógico, deixo-te uma dica para reflectires um pouco, se tiveres pachôrra:
 
Quem abandonou rapidamente o analógico, para se dedicar de corpo e alma ao digital, fê-lo por 2 razões, sómente:
 
1- Nunca conseguiu resultados REALMENTE BONS com o analógico…
 
2- Depende duma plataforma de edição digital (ex: Photoshop), como é o caso do nosso amigo Zé Marafona que, como sabemos, trabalha imenso com montagens, o que, hoje em dia, não faz de todo sentido numa plataforma analógica.
 
O resto, é trêta, como por exemplo, a história mais repetida pelos “pixelmen”:
 
-É que com o digital, gasto menos dinheiro!
 
Ora isto é a mais pura patranha! Uma médio formato usada, compra-se por tuta e meia e uma ampliador usado custa meia tuta! Em contrapartida, os gajos que eu conheço que aderiram mais cedo ao digital, desde 2001, já compraram 5 ou 6 máquinas de 2MP, 3.3Mp, 4MP, 5MP, 6MP, 8 MP e, neste momento, preparam-se para a de 10, 12 ou 16 MP. Os japoneses agradecem…
Claro que, entretanto, foram mais uns cobres para cartões, baterias, lentes, computadores (que é necessário ir mudando, por causa da memória que as maquinetas vão “comendo”), impressoras com mais PPP, papéis, tinteiros, CDs, DVDs, e sei lá mais o quê… Ah, já sei, o Epson P-2000 ou o 4000, para visionarem e armazenarem as fotografias.
 
Pois eu, cá continuo com a minha velha Pentax 67 à qual se juntou mais recentemente um par de Rolleiflex, uma dos anos 50 e outra dos anos 90, mais uma maquineta da Jobo para revelar películas e o que é um facto é que não tenho visto fotografias em papel (feitas com máquinas digitais) que batam em qualidade as minhas, as do Miguel Mealha, do Manel Luis Cochofel e as do Luís Henriques, por exemplo. Isto, só para mencionar alguns dos que me são mais próximos…
 
As fotografias que tenho feito ultimamente, já não têm muito a ver com as que tu e o Zé viram no Estoril. A coisa tem evoluído…felizmente.
 
Por outro lado, continuo a trabalhar com máquina digital, embora só a utilize para trabalho comercial. Tenho uma Canon EOS 350 D, que acho uma maquineta fabulosa para trabalho comercial. Eu não sou um fanático do analógico, sou um fanático da fotografia, as máquinas são, para mim, ferramentas e, como tal, utilizo para cada fim, a chave de fendas, estrela, de bocas ou sextavada mais indicada para cada trabalho.
 
No entanto, quando saio para fotografar “para mim”, pego mas é na minha Pentax 67, Rolleiflex, Wista 4×5 ou Linhof 4×5, pois então!!!!! Não há nada melhor para o tipo de fotografias que faço.
 
É preciso não esquecer que, para fotografia de paisagem, os movimentos de lente e back das grande formato, são imprescindíveis para quem pretende fazer a coisa com seriedade! Isto não tem nada a ver com o tipo de suporte (analógico ou digital) e, sim, com o facto de se poder obter uma profundidade de campo impossível de se atingir com uma máquina que não permita movimentos…
 
1 grande abraço,
 
NSD”
 
Praia Azul de Nanã Sousa Dias
 
 
 
E agora a minha opinião que o Nanã já conhece e que vou tentar agora resumir:
 
Quem vê os trabalhos do Nanã em papel fica impressionado… É, de facto, duma qualidade a toda a prova, e, estou de acordo, difícilmente se consegue aquela qualidade em digital…
 
Também estou de acordo que o digital poderá não ser mais barato neste momento particular por razões de mercado, i.e., há muito material bom analógico disponível dada a quantidade de gente que está a abraçar o digital e que, na saída, vende barato o seu equipamento…
 
No entanto (e começa aqui os “noentantos”), sem ser totalmente impossível, seria difícil para mim continuar a fotografar com a frequência com que o faço e que gosto se não fosse o digital… Definitivamente, para mim, é mais cómodo o digital… Uma vida profissional absorvente em termos de horário, como a minha, pode ser um constangimento a uma prática de fotografia analógica como a dos autores que o Nanã referiu a título de exemplo no seu e-mail… Mas, como já disse, não é impossível mas, se calhar, a minha atitude e a atitude de milhares de outras pessoas que fazem umas fotografias tivesse que ser alterada…
 
Depois há aspectos na fotografia digital, como a possibilidade de acertos rápidos nas imagens (vejam-se os programas de revelação raw p.ex.), manipulações e montagens (com “Photoshop” por exemplo), que, neste momento, estão práticamente fora do actual âmbito do analógico… O próprio Nanã reconhece no e-mail no ponto 2 das razões de abandono do analógico, quando diz o seguinte: Sai do analógico quem “Depende duma plataforma de edição digital (ex: Photoshop), como é o caso do nosso amigo Zé Marafona que, como sabemos, trabalha imenso com montagens, o que, hoje em dia, não faz de todo sentido numa plataforma analógica.”
 
O jornalismo e alguma fotografia comercial também não dispensam o digital como bem reconheceu o Nanã que até têm uma 350D (eu tenho duas Smile).
 
E depois, sem querer fazer publicidade e também sem querer equiparar as minhas impressões às do Nanã, devo dizer que se conseguem neste momento muito boas impressões, até de pretos e brancos, com uma impressora A3, tipo “Epson Stylus Photo R2400″, desde que afinadinha com os papeis e o monitor.
 
A título de conclusão: Penso que neste momento há lugares para ambas as ”ferramentas”, analógica e digital. O analógico, no entanto, bem trabalhado, nalguns tipos de fotografia, pode ainda atingir níveis bem superiores, mesmo quando comparado com o melhor digital.
 
Definitivamente, para mim que conheço os dois lados da questão (ainda faço umas coisas com 6X7), o digital é cómodo e, a sua qualidade, tem vindo a crescer de forma exponencial…
 
Já no fim deste artigo, para finalizar, deixo aqui uma frase do Nanã que, na minha opinião, resolve esta velha questão do analógico versus digital, fazendo até com que o seu e-mail, afinal, seja menos controverso que o que o meu título do artigo sugeria no início:
 
 Por outro lado, continuo a trabalhar com máquina digital, embora só a utilize para trabalho comercial. Tenho uma Canon EOS 350 D, que acho uma maquineta fabulosa para trabalho comercial. Eu não sou um fanático do analógico, sou um fanático da fotografia, as máquinas são, para mim, ferramentas e, como tal, utilizo para cada fim, a chave de fendas, estrela, de bocas ou sextavada mais indicada para cada trabalho.” 
 
 
Nuance #45 de Nanã Sousa Dias
 
 
Mais fotos do Nanã (daquelas em que as impressões nos deixam de boca aberta Smile) em:
 
 
 
Perafita, 18 de Dezembro de 2006
Zacarias Pereira da Mata
 
 
 
 
 
 
 

 

 


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