Monday, January 1, 2007

Morrer na praia #2

O Blog continua de luto …

 

Um pouco na continuação do artigo anterior…

 

Acho que esta imagem surgiu directamente dos meus pesadelos…

 

 

 

Perafita, 1 de Janeiro de 2007

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Posted by Zacarias Pereira da Mata at 19:52:35 | Permalink | Comments (2)

Saturday, December 30, 2006

Morrer na praia

O Blog está de luto

 

Três homens morreram e outros três estão desaparecidos, na sequência de um naufrágio de um barco de pesca, ontem, ao largo da praia da Légua, Pataias, perto de Alcobaça. Cena trágica, pois ocorreu a 50 metros da praia. Muita gente viu os pescadores morrer, desesperados, a pedir ajuda. O socorro demorou duas horas a chegar.

O único sobrevivente (com ferimentos ligeiros) é um homem de nacionalidade ucraniana, que teve ainda ontem alta do hospital de Leiria. As operações de busca e salvamento são retomadas hoje, às 08.00, confirmou o Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria.

O acidente aconteceu perto das 07.00, a pouco mais de 50 metros da praia. A embarcação, de nome Luz do Sameiro, tinha zarpado do porto da Nazaré às 06.00. “Foi perto das 07.00 que foi dado o primeiro sinal satélite, mas este primeiro sinal não foi conclusivo e esperamos pelo segundo. Por volta das 08.00 tivemos a confirmação da posição e do barco que era”, disse ao DN José Miguel Neto. O capitão do Porto da Nazaré suspeita que na origem do acidente possa estar algum problema de motor ou as redes que tenham ficado presas nas hélices.

Outra versão tem Hugo Henriques, um nadador-salvador, que com ajuda de um amigo chegou a estar dentro de água e muito perto dos tripulantes da fragata mas “foi impossível tirá-los de lá”, lamenta. “O alerta foi dado por um senhor aqui da aldeia que viu a embarcação virar, eram 07.00. Nós descemos à praia e entrámos dentro de água. Chegámos muito perto do barco. Nessa altura estavam quatro homens, de pé na cabina do barco, e outro estava sem sentidos”, conta ao DN.

E continua: “A corrente estava muito forte, a maré estava cheia e por isso eles nem conseguiam chegar à praia mesmo que quisessem.” Sem poder fazer nada, restou-lhes esperar pelo socorro, “que tardou. A Polícia Marítima chegou aqui sem qualquer equipamento de resgate e o helicóptero demorou mais de duas horas a chegar”, denuncia.

Manuel Gavina Maio é o dono da embarcação Luz do Sameiro. Ontem, os bens materiais de nada valiam perante a vida do seu filho, uma das vítimas mortais do acidente. Iná- cio Maio, mestre do barco, tinha 39 ano e era pai de três filhos. O desespero de encontrar o filho ainda com vida levou a mãe do pescador a percorrer o areal da praia da Légua vezes sem conta durante toda a manhã… As más notícias chegaram à tarde. Pediram-lhe para identificar o corpo.

Inácio Maio comandava uma equipa de dez pessoas. Mas ontem, quis o destino que só seis embarcassem com ele. José Elias Viana e Fernando Craveiro Cartucho foram duas das vítimas mortais resgatadas ontem. Permanecem desaparecidos João Craveiro Cartucho, José Maciel Ferreira e Ricardo Marques.

Dois corpos - um de manhã e outro ao início da tarde - foram resgatadas de dentro da embarcação. A terceira vítima deu à costa na praia Vale Furado. As operações foram interrompidas às 19.30. As buscas são hoje retomadas, às 08.00.

 
In “Diário de Notícias” de hoje 
 
 

Sra da Guia - Foto de Zacarias da Mata

 

Viemos juntos há mil anos, meus garbosos irmãos, todos filhos de um Deus maior do Norte…

Desembarcamos nas nossas praias; eram todas nossas, as praias…

Fizemos-lhe os barcos, ensinamo-lhes a navegar, fizemos-lhe o Império…

Voltamos ao norte nos lugres para lhes matar a fome… Ousamos descobrir pesqueiros, tão ao Norte que, ali, nunca tinha navegado ninguém… Fomos abalroados e torpedeados na 2ª guerra…

Os conas* enchem-nos de impostos e de taxas com os quais compram o peixe que nós pescamos mas que não podemos comer…

Nunca nos agradeceram, os conas…

Mas, ao menos, meu Deus, que não nos deixem morrer na praia… É o mínimo que os conas podem e devem fazer…

Vão dizer os conas outra vez: “que estaveis em zona proibida”, “que sois aventureiros”, “que arriscais em demasia”…

Se vós não fosseis assim - eu pergunto - a terra dos conas seria o que é? Será que este paraíso, o dos conas, teria alguma glória, que é vossa e que foi usurpada?… 

As mulheres - Imagem de Zacarias da Mata

Homenagem aos que morreram na praia, pescadores das Caxinas, da Poça da Barca e da Póvoa, filhos de Njord!

 

Que tenham vergonha os conas. O cú pesa-lhes tanto que não conseguem despachar-se, mesmo quando estão vidas em risco… Ponham os olhos na Guarda Costeira dos Estados Unidos que nem sequer tem a nossa tradição…

 

*”Os Conas”: Termo que se usa nas Caxinas, Poça da Barca e Póvoa (provávelmente noutros lados, também) para classificar homens flácidos, homens pouco despachados, homens sem coragem, homens que vivem à custa da mulher e/ou de outros, políticos que não tomam medidas ou que governam para se “encherem”, homens que se deixam dominar fácilmente, homens que evitam embarcar, homens que não assumem riscos mesmo quando é absolutamente necessário, etc., etc…

 

Perafita, 30 de Dezembro de 2006

 

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Posted by Zacarias Pereira da Mata at 21:04:52 | Permalink | Comments (5)

Tuesday, November 28, 2006

Filhos de Njord

Há quem diga que viesteis do Norte, muito do Norte…

Há quem diga que sois os filhos de Njord…

Há quem diga que sois apenas enteados… 

 

 

Aos que ousaram partir, aos que regressaram e aos que nunca o puderam fazer para contar a sua saga…

 

 

Homenagem aos meus irmãos pescadores e marinheiros da Póvoa de Varzim, das Caxinas e da Poça da Barca

 

Matosinhos, 28 de Novembro de 2006

Zacarias Pereira da Mata

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