Sunday, January 7, 2007

Portfólio Corpo, do Zé Marafona

 

 

Não é, concerteza, uma visão do CORPO assexuada nem isenta de sensualidade, a do Zé… 

Aqui e ali há até uns laivos de erotismo…

Há também obras marcadamente controversas, e, isso, daquilo que eu penso da arte, é muito bom!…

No caso do artista José Marafona tenho dificuldade em falar de influências, embora, neste mundo globalizado , e depois de séculos de arte - elaborada como a entendemos hoje - cada vez menos se possa falar de “ilhas isoladas” de originalidade… Embora mais novo, foi contemporâneo de  Nobuyoshi Araki e Helmut Newton. Às vezes (sempre e só na minha opinião), aqui e ali, é inevitável notar-se uma ou outra aproximação a estes autores…

O Corpo, o Nú, da forma como o Zé os vê e representa, poderia ser uma das trilhas que poderia/deveria ter sido mais explorada, principalmente se tivesse ousado sair da labreguice portuguesa das ainda não muito distantes décadas de 70 e 80… Eu sei que a oportunidade surgiu através de convite formal para ir para outro país, mas o apego à família e a este cantinho florido à beira mar, se calhar,  não deixou que esta saída se concretizasse…

Tenho a certeza que, apesar de tudo, ainda não está acabado este portfólio… Wink … 

 

Mais imagens em www.josemarafona.com e, no disco do seu computador, mas essas temos que aguardar… Smile …

 

Perafita, 7 de Janeiro de 2007

www.zacariasdamata.com

 

 

   

 

Posted by Zacarias Pereira da Mata at 15:24:15 | Permalink | Comments (2)

Friday, December 1, 2006

Fotografia Conceptual de José Marafona, um artigo de João Castela Cravo

 

Penso  que o meu amigo João Castela Cravo têm aqui um muito bom artigo sobre a fotografia conceptual de José Marafona que não poderia deixar de reproduzir e que ilustrei com fotografias do portfólio “Delírios” do site www.josemarafona.com …

 

Em Novembro de 2002, José Marafona publica no site fotográfico 1000imagens.com, um artigo intitulado “Conceptualismo na Arte Fotográfica”. Foi este o meu primeiro contacto com esta vertente da fotografia, que imediatamente me motivou um grande interesse, que aliás aumentou à medida que fui “descobrindo” o trabalho daquele fotógrafo.
“(…) a realidade pretendida pode ser (re)criada induzindo com isso um conceito, ou criando um conceito usando uma realidade existente.” (Marafona, 2002)
Do interesse intelectual, a pouco e pouco, passei a um estado de deslumbramento. O conceptualismo fotográfico era um caminho que se me afigurava como exemplar na procura de uma expressividade que a fotografia mais clássica pode negar.
“O conceptualismo aplicado à fotografia é uma “ferramenta” que pode ser ajustada por forma a criar fronteiras ténues entre estados mentais próximos do surrealismo, mas separados logicamente por uma pequena dose de razão.” (Marafona, 2002)
Comecei então a brincar com a manipulação digital de fotografias, como forma de experimentar caminhos. Não me sentia, nem técnica nem esteticamente preparado para criar fotografia conceptual. Havia, e ainda há, o pudor do aprendiz perante a obra do mestre (que me perdoe o José). Até que um dia arranjei coragem e inseri no 1000imagens, uma fotografia que incluí no tema fotografia conceptual. E foram alguns comentários positivos de companheiros e do próprio José Marafona, que me levaram a continuar.O que me atrai neste caminho fotográfico, é a possibilidade de criar (mais do que fotografar) através da fotografia. Criar um conceito a partir de ícones vários e distintos, recriar uma realidade, um cosmos próprio, normalmente onírico, sem qualquer preocupação de contar uma história, mas dando pistas para que a história exista. Entre o criador e o observador estabelece-se um laço, um laço entre o sonho e a realidade. Não há aqui (embora possa resvalar para) surrealismo. O surrealismo resulta de automatismos psicológicos, o conceptualismo joga com a razão, implica uma concordância icónica com a realidade. O surrealismo trabalha com o inconsciente, o conceptualismo cria consciência.Estabeleci a minha referência à obra de José Marafona, embora os meus trabalhos estejam longe da sua criação depurada e da sua qualidade de imagem, da mesma maneira que este autor refere a obra de Manuel E. A. Sousa, já falecido, seu compagnon de route, fotógrafo dos primórdios do conceptualismo português dos anos 70 do pretérito século. Do pouco que dele conheço, reforço o que diz Marafona, infelizmente Manuel Sousa está esquecido na história da fotografia portuguesa.A fotografia conceptual tem hoje uma ferramenta que Manuel Sousa não dispunha no seu tempo, os editores de imagem. Mais fácil se torna o trabalho, que naquela altura bem complicado devia ser. Mas é precisamente esta vantagem que provoca alguma incompreensão relativamente à fotografia conceptual. Muita gente, arvorada em purista, tal Castilho contra Antero, zurze neste tipo de trabalho, forte e feio. Felizmente que já se vão vendo alguns fotógrafos a experimentar, a fazer e a incluir os seus trabalhos nesta categoria. Em 2002 dizia Marafona “(…) uma viagem através dos meus medos, alegrias, frustações e ansiedades, apoiando-me aqui e acolá nas minhas contradições, aguardando forças para continuar num caminho que não tem referências de destino ou companheiros de viagem.”Afinal José, a sua viagem serviu para desbravar terreno!

Venteira/Amadora, 21 de Janeiro de 2004

João Castela Cravo

 

Voltaremos ao João Cravo e aos seus artigos… Entretanto fica aqui alguma coisa sobre ele que desenvolveremos oportunamente…

  • Age: 44
  • Gender: male
  • Astrological Sign: Pisces
  • Zodiac Year: Tiger
  • Occupation: Professor e Investigador
  • Location: Amadora

 

 

 Auto-retrato em demência cega

Foto e “perfil” constantes no blog http://cravofotoconceito.blogspot.com/

 

 

Aqui ficam as fotos do Zé que eu escolhi. Foi tarefa muito complicada dada a qualidade dos trabalhos…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

José Correia Marafona nasceu em 1952 em Vila do Conde. Entre muitas outras coisas foi fundador do famoso “IF” e professor de Fotografia.


 
Diz dele no seu Site: “Embora tendo abraçado e experimentado por influências directas ou indirectas as várias vertentes da fotografia convencional, foi na fotografia conceptual que descobri, após um interregno de 20 anos, a verdadeira forma de me exprimir. Apesar de saber tratar-se de uma expressão altamente contestada e com poucos seguidores…é aí que me sinto bem, mesmo que praticamente só!!”

 

Voltaremos em breve à fotografia conceptual, ao Zé Marafona e a outros dos seus portfólios…

Matosinhos, 1 de Dezembro de 2006

 Zacarias Pereira da Mata

www.zacariasdamata.com

 

 

Posted by Zacarias Pereira da Mata at 22:25:24 | Permalink | Comments (6)