Naufrágio do Veronese versus Luz do Sameiro
Ainda a propósito do “morrer na praia” e da tragédia da “Luz do Sameiro”, aqui fica um e-mail acabado de receber de um amigo meu a viver no Algarve, genro de uma das figuras mais carismáticas daquela zona, um pescador “campeão”, infelizmente já desaparecido, Mestre Emiliano.
O Albino Monteiro, apesar de viver no Algarve, foi nascido e criado em Matosinhos, Leça da Palmeira (quase meu vizinho). Têm um blog muito interessante, www.mardelevante.blogspot.com , cuja visita recomendo.
Aqui fica então a reprodução do e-mail, sem mais comentários:
“Caro Zacarias da Mata,
Partilho completamente a sua revolta pelo sucedido com o LUZ DO SAMEIRO e
o seu trágico desfecho. Como homem ligado ao mar desde muito cedo (e
continuo, para mal dos meus pecados) sei perfeitamente o que falhou
naquele infeliz acontecimento. A prova do que tenho repetidamente afirmado
está aquí neste artigo do Matosinhos Hoje que recorda o naufágio do
Veronese há 94 anos. Falharam muitas coisas e por motivos absolutamente
inaceitáveis, mas a falta de um lança-cabos (que existe a bordo dos nossos
barcos e é obrigatório por lei) num corpo de bombeiros do litoral ou numa
capitania, é absolutamente inacreditável. Há 94 anos foi isso que salvou
mais de 200 passageiros do Veronese. Há quase 1 século salvou-se tanta
gente em condições muitíssimo mais complicadas, conforme o artigo do
jornal demonstra ( e lá se vê o foguete que levou o cabo para o navio) e
utilizando meios muito mais rudimentares. Como é possível que ao fim de
tantos anos e existindo no mercado aparelhos lança-cabos tão baratos e tão
fáceis de manejar (é tudo em plástico), que permitem depois utilizar a
boia-calção num cabo de vai-e-vem, se tenha chegado a este ponto de
incúria? Como muito bem diz: SÃO OS CÔNAS DESTE PAÍS !
Saudações calorosas desde este canto do Algarve.”
www.matosinhoshoje.com

Um grande abraço para a toda a família Emiliano de quem tenho profundas saudades.
Ao Albino Monteiro, Leceiro dos quatro costados, para além do abraço que se impôe, segue também os meus agradecimentos pelo e-mail que se reproduziu e que, definitivamente, foi bastante esclarecedor.
Perafita, 18 de Janeiro de 2007



