Tuesday, December 19, 2006

Nanã na 1ª pessoa, directo e controverso

“Octopus” de Nanã Sousa Dias  
 
 
Não desgostou do artigo pubicado neste blog sobre ele, o Nanã.
 
Apreciou particularmente aquele bocadinho em que reproduzi parte da nossa conversa em Castelo Branco sobre a arrogância… Continua a achar que há muita gente que o rodeia que lhe espicaça essa arrogância, creio que pelos mesmos motivos invocados na tal conversa de Castelo Branco. Recomendo uma leitura do artigo publicado neste blog em 8 de Dezembro de 2006 intitulado “Nanã Sousa Dias, talento e sofisticação…” para se perceber…
 
Por outro lado temos tido ao longo dos anos longas conversas, quer pessoais, quer por e-mail, sobre a “ velha história do digital vs. analógico”. O último e-mail a propósito surgiu no seguimento do artigo já referido e que agora reproduzo, sic, com a sua autorização. A minha opinião deixá-la-ei para o fim.
 
 
 
“Quanto á velha história do digital vs. analógico, deixo-te uma dica para reflectires um pouco, se tiveres pachôrra:
 
Quem abandonou rapidamente o analógico, para se dedicar de corpo e alma ao digital, fê-lo por 2 razões, sómente:
 
1- Nunca conseguiu resultados REALMENTE BONS com o analógico…
 
2- Depende duma plataforma de edição digital (ex: Photoshop), como é o caso do nosso amigo Zé Marafona que, como sabemos, trabalha imenso com montagens, o que, hoje em dia, não faz de todo sentido numa plataforma analógica.
 
O resto, é trêta, como por exemplo, a história mais repetida pelos “pixelmen”:
 
-É que com o digital, gasto menos dinheiro!
 
Ora isto é a mais pura patranha! Uma médio formato usada, compra-se por tuta e meia e uma ampliador usado custa meia tuta! Em contrapartida, os gajos que eu conheço que aderiram mais cedo ao digital, desde 2001, já compraram 5 ou 6 máquinas de 2MP, 3.3Mp, 4MP, 5MP, 6MP, 8 MP e, neste momento, preparam-se para a de 10, 12 ou 16 MP. Os japoneses agradecem…
Claro que, entretanto, foram mais uns cobres para cartões, baterias, lentes, computadores (que é necessário ir mudando, por causa da memória que as maquinetas vão “comendo”), impressoras com mais PPP, papéis, tinteiros, CDs, DVDs, e sei lá mais o quê… Ah, já sei, o Epson P-2000 ou o 4000, para visionarem e armazenarem as fotografias.
 
Pois eu, cá continuo com a minha velha Pentax 67 à qual se juntou mais recentemente um par de Rolleiflex, uma dos anos 50 e outra dos anos 90, mais uma maquineta da Jobo para revelar películas e o que é um facto é que não tenho visto fotografias em papel (feitas com máquinas digitais) que batam em qualidade as minhas, as do Miguel Mealha, do Manel Luis Cochofel e as do Luís Henriques, por exemplo. Isto, só para mencionar alguns dos que me são mais próximos…
 
As fotografias que tenho feito ultimamente, já não têm muito a ver com as que tu e o Zé viram no Estoril. A coisa tem evoluído…felizmente.
 
Por outro lado, continuo a trabalhar com máquina digital, embora só a utilize para trabalho comercial. Tenho uma Canon EOS 350 D, que acho uma maquineta fabulosa para trabalho comercial. Eu não sou um fanático do analógico, sou um fanático da fotografia, as máquinas são, para mim, ferramentas e, como tal, utilizo para cada fim, a chave de fendas, estrela, de bocas ou sextavada mais indicada para cada trabalho.
 
No entanto, quando saio para fotografar “para mim”, pego mas é na minha Pentax 67, Rolleiflex, Wista 4×5 ou Linhof 4×5, pois então!!!!! Não há nada melhor para o tipo de fotografias que faço.
 
É preciso não esquecer que, para fotografia de paisagem, os movimentos de lente e back das grande formato, são imprescindíveis para quem pretende fazer a coisa com seriedade! Isto não tem nada a ver com o tipo de suporte (analógico ou digital) e, sim, com o facto de se poder obter uma profundidade de campo impossível de se atingir com uma máquina que não permita movimentos…
 
1 grande abraço,
 
NSD”
 
Praia Azul de Nanã Sousa Dias
 
 
 
E agora a minha opinião que o Nanã já conhece e que vou tentar agora resumir:
 
Quem vê os trabalhos do Nanã em papel fica impressionado… É, de facto, duma qualidade a toda a prova, e, estou de acordo, difícilmente se consegue aquela qualidade em digital…
 
Também estou de acordo que o digital poderá não ser mais barato neste momento particular por razões de mercado, i.e., há muito material bom analógico disponível dada a quantidade de gente que está a abraçar o digital e que, na saída, vende barato o seu equipamento…
 
No entanto (e começa aqui os “noentantos”), sem ser totalmente impossível, seria difícil para mim continuar a fotografar com a frequência com que o faço e que gosto se não fosse o digital… Definitivamente, para mim, é mais cómodo o digital… Uma vida profissional absorvente em termos de horário, como a minha, pode ser um constangimento a uma prática de fotografia analógica como a dos autores que o Nanã referiu a título de exemplo no seu e-mail… Mas, como já disse, não é impossível mas, se calhar, a minha atitude e a atitude de milhares de outras pessoas que fazem umas fotografias tivesse que ser alterada…
 
Depois há aspectos na fotografia digital, como a possibilidade de acertos rápidos nas imagens (vejam-se os programas de revelação raw p.ex.), manipulações e montagens (com “Photoshop” por exemplo), que, neste momento, estão práticamente fora do actual âmbito do analógico… O próprio Nanã reconhece no e-mail no ponto 2 das razões de abandono do analógico, quando diz o seguinte: Sai do analógico quem “Depende duma plataforma de edição digital (ex: Photoshop), como é o caso do nosso amigo Zé Marafona que, como sabemos, trabalha imenso com montagens, o que, hoje em dia, não faz de todo sentido numa plataforma analógica.”
 
O jornalismo e alguma fotografia comercial também não dispensam o digital como bem reconheceu o Nanã que até têm uma 350D (eu tenho duas Smile).
 
E depois, sem querer fazer publicidade e também sem querer equiparar as minhas impressões às do Nanã, devo dizer que se conseguem neste momento muito boas impressões, até de pretos e brancos, com uma impressora A3, tipo “Epson Stylus Photo R2400″, desde que afinadinha com os papeis e o monitor.
 
A título de conclusão: Penso que neste momento há lugares para ambas as ”ferramentas”, analógica e digital. O analógico, no entanto, bem trabalhado, nalguns tipos de fotografia, pode ainda atingir níveis bem superiores, mesmo quando comparado com o melhor digital.
 
Definitivamente, para mim que conheço os dois lados da questão (ainda faço umas coisas com 6X7), o digital é cómodo e, a sua qualidade, tem vindo a crescer de forma exponencial…
 
Já no fim deste artigo, para finalizar, deixo aqui uma frase do Nanã que, na minha opinião, resolve esta velha questão do analógico versus digital, fazendo até com que o seu e-mail, afinal, seja menos controverso que o que o meu título do artigo sugeria no início:
 
 Por outro lado, continuo a trabalhar com máquina digital, embora só a utilize para trabalho comercial. Tenho uma Canon EOS 350 D, que acho uma maquineta fabulosa para trabalho comercial. Eu não sou um fanático do analógico, sou um fanático da fotografia, as máquinas são, para mim, ferramentas e, como tal, utilizo para cada fim, a chave de fendas, estrela, de bocas ou sextavada mais indicada para cada trabalho.” 
 
 
Nuance #45 de Nanã Sousa Dias
 
 
Mais fotos do Nanã (daquelas em que as impressões nos deixam de boca aberta Smile) em:
 
 
 
Perafita, 18 de Dezembro de 2006
Zacarias Pereira da Mata
 
 
 
 
 
 
 

 

 


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Friday, December 8, 2006

Nanã Sousa Dias, talento e sofisticação…

Quando voltei à fotografia em 2000, depois de um interregno de vinte anos, fi-lo, em boa hora, através do  www.fotopt.net, primeiro grande site Português e em Português de fotografia. Nele estavam alguns nomes da fotografia Portuguesa e Brasileira, daqueles que eu conhecia da leitura das revistas e jornais da especialidade dos anos setenta…

Houve dois fotógrafos, no entanto, que aos meus olhos se destacaram de imediato no meu primeiro ano de site, o meu amigo de longa data , José Marafona, sobre quem já publicamos um primeiro artigo com a ajuda de João Castela Cravo e, Nanã Sousa Dias, de quem nos haviamos de tornar mais tarde bons amigos… Nos anos subsequentes acabei por descobrir outros grandes fotógrafos, como o Alfredo Cunha que muito aprecio mas que nunca conheci pessoalmente, e muitos outros com quem fiz amizade ou, pelo menos, troquei umas opiniões e ideias… Não há, porém, como diz o povo, “amor como o primeiro”… …

Ora foi através deste site, i.e., através de um dos seus famosos almoços, o de Beja, que conheci pessoalmente o Nanã. Mantenho dele exactamente a mesma opinião que tive naquele primeiro contacto. Trata-se de um indivíduo brilhante, um artista, que aprecia e toca Jazz divinalmente, com muito bom gosto, educado, inteligente e com alguma sofisticação (características que, aliás, na minha opinião, estão bem reflectidas no seu trabalho fotográfico)  e que não têm lá grande conceito dos que têm a mania que sabem muito… Uma vez, em Castelo Branco, saboreando um bom naco de porco preto grelhado devidamente regado por um tinto fabuloso, disse-me: “Zacarias há quem me chame arrogante e se calhar até sou, mas sou-o porque não gosto dos medíocres, dos que sabem tudo e dos que não querem progredir…”

O Nanã, ao contrário do que se possa pensar, está sempre pronto a ajudar… Também não tem problemas em perguntar quando têm dúvidas e ouve com muita atenção aquilo que possamos trazer de novo… Ainda há não muito tempo no Estoril, em animado convívio comigo, com o Zé Marafona e com a Srª Arq. Olga Gouveia, pela noite dentro,  ao saborearmos os seus 30X40, quando o Zé Marafona, homem com alguma experiência em impressões tradicionais de preto e branco, lhe chamava a atenção para coisas que só quase eles conseguiam ver, humildemente, assumia os “erros” não tendo qualquer tipo de problema em dar a mão à palmatória…

Sinto-me previlegiado em ter amigos destes e compartilhar os seus êxitos. Vibrei com os  destaques no “Photo.net” do Nanã , vibrei quando em 2005 a revista americana “B and W Magazine”, talvez a melhor publicação de fotografia Fine Art do mundo, publicou um brilhante artigo com uma entrevista e fotografias do Nanã, fazendo-lhe justiça e, de alguma forma, equiparando-o aos mais importantes fotógrafos de Paisagem. Ainda hoje me regozijo com as várias notas e artigos que vão saindo aqui e ali na imprensa… 

E, depois, foi este homem, em conjunto com o Zé Marafona, que me introduziu no médio formato que agora estou a deixar dada a crescente qualidade do digital… É aqui que eu divirjo um pouco do Nanã, já que ele está a fazer um percurso que eu não faria (porque não quero e porque não posso) no sentido do filme grande formato, apesar de ter que lhe reconhecer os resultados irrepreensíveis…

Deixo agora algumas fotos que escolhi para introdução ao seu trabalho com a promessa de, oportunamente, voltar aos seus portfólios de forma individualizada e cuidada. 

 

 

Mais fotografias do Nanã em:

http://www.photo.net/photodb/member-photos?include=all&user_id=521294

 

 

 

Biografia de Nanã Sousa Dias:
Nasceu em Torres Vedras, em 1957. Fotógrafo, músico profissional e produtor discográfico. Começou a fotografar na adolescência, tendo abandonado cerca de 2 anos depois, devido à crise económica que se instalou no país, após a revolução de 1974.
Em 1997, decidiu retomar a actividade fotográfica. Montou um pequeno laboratório em casa e adquiriu uma Hasselblad dos anos 60, com a qual começou a praticar.
Começou, nessa altura, a assimilar tanta informação técnica e artística quanto era possível, através de livros, revistas, exposições e Internet.
Em 2000 entrou para o site “Fotografia em Português”, tendo recebido uma Menção Honrosa 15 dias depois e tendo ganho o galardão máximo do site, Autor do Mês, pouco depois. Foi, então, convidado a integrar o júri do site, tendo sido, também, um dos coordenadores do livro editado pelo site, que incluía algumas fotografias da sua autoria.
Tendo abordado vários temas, no início da sua actividade, concentra-se actualmente na fotografia de paisagem, retrato e nu em estúdio e fotografia urbana, maioritariamente, em preto e branco.
As suas influências são muitas, Ansel Adams, Edward Weston, Brett Weston, John Sexton, Henri Cartier- Bresson, Elliot Erwitt, Helmut Newton, Richard Avedon, Yousuf Karsh, Robert Mapplethorpe, Jeanloup Sieff, Arnold Newman, etc.
Seguidor do Sistema de Zonas, criado e desenvolvido por Ansel Adams e Edward Weston, imprime, em laboratório convencional, todos os seus trabalhos, sendo um amante da fotografia “Fine Art”, em médio e grande formato.
Iniciou, em 2003, um ciclo de Workshops de fotografia de Paisagem, Sistema de Zonas, Retrato, Laboratório e fotografia de Estúdio, tendo efectuado vários cursos, em diversas cidades. Além dos Workshops, lecciona cursos de fotografia particulares e em várias instituições.
Ao longo dos últimos 4 anos, tem participado em vários sites nos Estados Unidos, Brasil, Rússia, Dinamarca, Alemanha e Portugal, tendo recebido numerosos prémios e distinções. Actualmente, faz parte do júri de 2 sites interactivos, em Portugal e nos EUA.
Os seus trabalhos foram publicados em várias revistas nacionais e estrangeiras, bem como em livros técnicos, distribuídos em todo o mundo, por uma conceituada editora inglesa de livros e revistas de fotografia.
Participou em várias exposições colectivas e individuais tendo, neste momento, agendadas 3 exposições no Brasil e várias em Portugal.
Em 2005, a revista americana B and W Magazine, considerada a melhor publicação de fotografia Fine Art do mundo, publicou um artigo com uma entrevista e fotografias de Nanã Sousa Dias, colocando-o entre os mais importantes fotógrafos de Paisagem da actualidade.
Trabalhos publicados em revistas e jornais:
Super Foto Practica – (Portugal) 2000/2001/2003
1º de Janeiro – (Portugal) 2003
Egoísta – (Portugal) 2003
Fotografe Melhor – (Brasil) 2004
Elle – (Portugal) 2004
Egoísta – (Portugal) 2005
Fotoplus – (Portugal) 2005
Black and White Magazine – (USA) 2005
Livros:
Fotografia em Português - Portugal 2001
Outdoor Lighting Nudes – UK 2003
Camera Craft Nudes – UK 2003
Camera Craft Black and White – UK 2004
Guide to Outdoor Photography – UK 2004
Exposições:
Almada (Galeria Municipal) 2001
Almeirim (Galeria Municipal) 2003
Torres Vedras (Paços do Concelho) 2003
Castelo Branco (Galeria do IPJ) 2004
Torres Vedras (Cooperativa de Comunicação e Cultura) 2004
Porto de Mós (Ecoteca Municipal) 2004
Lisboa (Galeria do Sacramento) 2004
Figueira da Foz (Centro de Artes e Espectáculos) 2005
Espinho (Galeria do Casino Solverde) 2006
Workshops:
Torres Vedras (Paisagem) – 2003
Castelo Branco (Paisagem, Laboratório) – 2003
Braga (Paisagem) – 2004
Porto de Mós (Paisagem, Laboratório) – 2004
Caxias (grande formato) – 2004
Caxias (Retrato) – 2004
Matosinhos ( Paisagem) – 2005
Caxias (Paisagem) - 2005
Torres Vedras (Retrato) - 2005
Lisboa -( Paisagem) 2006
Porto - 2006 ( Paisagem)
Lisboa - ( Paisagem) 2006
Porto - 2006 (Retrato)

 

 

 

Perafita, 8 de Dezembro de 2006

Zacarias Pereira da Mata

 

www.zacariasdamata.com

 

 

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