Saturday, June 23, 2007

Garranos

 

Um cavalo que vêm do passado

…Os garranos são cavalos pequenos, descendentes dos cavalos representados nos desenhos existentes nas caves de Lascaux e Altamira. Provêm assim duma raça muito antiga presente no território português desde a pré história, como se pode ver nas pinturas da era Paleolítica… (in www.equisport.pt )

 

 

Hoje, sem nos alongarmos, vamos dar lugar de imediato ao poeta e amigo, Pedro Vasconcelos, que escreveu sobre esta raça que nos acompanhou desde sempre neste canto recôndito da Europa e do Mundo, e que partilhou todas as nossas venturas e desventuras, aquém e além-mar… Talvez sem a beleza do cavalo Lusitano, iguala-o no entanto em nobreza…

 

 

Se ser Nobre é ter
  Puro sangue nas veias
  Ou terra para correr

  É Nobre também quem pode sentir
  O vento afagar-lhe os cabelos
  Ou a liberdade de poder partir

  Nos olhos de um Garrano nasceu o Homem
  E na sua velha crista correu a história do tempo
  Nos seus cascos o sangue de guerras e conquistas
  Na sua pele a velha serra onde encontra o seu alento

  Pedro Vasconcelos

  2 poemas haiku

  Um cavalo ergue-se
  No cume do monte selvagem
  O tempo pára

  Ao longe
  Um cavalo selvagem
  O vento na sua crista

Pedro Vasconcelos

O Pedro é um colega meu, da Banca, que opera na complicada área da recuperação de crédito. Dedica-se nos seus tempos livres à escrita. É, na minha opinião, um artista e de quem, seguramente, se há-de ouvir falar… Obrigado Pedro pela tua participação.

 

(as fotos são minhas, todas tiradas no habitat do garrano)

Perafita, 23 de Junho de 2007

www.zacariasdamata.com

 

Posted by Zacarias Pereira da Mata at 13:03:17 | Permalink | Comments (5)

Sunday, November 26, 2006

Boa Nova

… A Boa Nova é um sítio cantado, encantado e que ainda encanta …

 

 

 

Na praia da Boa Nova, um dia
Edifiquei (foi esse o grande mal)
Alto castelo, o que é a fantasia
Todo de lápis-lazuli e coral*

 

 

 

 

  *António Nobre (1867-1900)

Nasceu no Porto, na freguesia de Santo Ildefonso, a 16 de Agosto de 1867. Completou o ensino preparatório na cidade onde nasceu e em 1888 ingressou na Faculdade de Direito de Coimbra. As duas reprovações sucessivas no 1º ano determinaram, em 1890, a sua ida para Paris, onde frequentou a Escola Livre de Ciências Políticas e a Faculdade de Direito, nesta se licenciando em 1895. Regressando a Portugal com uma pneumonia em estado avançado, fez concurso para a diplomacia, em cujo concurso foi admitido, embora a sua saúde, profundamente abalada, tivesse tornado impossível a sua nomeação para cônsul em Pretória. Colaborou em jornais brasileiros para fazer face à dificuldades financeiras. Autor de poesia filiada no “simbolismo decadentista” (Manuel Pinheiro Chagas chamava-lhe “lamúria babosa”), fora próximo das hostes republicanas e seria Sampaio Bruno a editar os seus versos póstumos. Poeta d’o coração desfeito em tiras, é autor do livro de poemas “Só” - “o mais falado e o mais procurado dos livros” na sua época - “A Torre de Anto”, e “Primeiros Versos”. «Despedidas», edição póstuma, de 1902, compreende os versos escritos de 1893 a 1899, ano que precedeu imediatamente o da morte do poeta. Morreu tuberculoso a 18 de Março de 1900, com 33 anos.

 


© FUNDAÇÃO MÁRIO SOARES

 

 

 

Zacarias Pereira da Mata

www.zacariasdamata.com


 

Posted by Zacarias Pereira da Mata at 13:01:58 | Permalink | No Comments »