Saturday, June 23, 2007

Garranos

 

Um cavalo que vêm do passado

…Os garranos são cavalos pequenos, descendentes dos cavalos representados nos desenhos existentes nas caves de Lascaux e Altamira. Provêm assim duma raça muito antiga presente no território português desde a pré história, como se pode ver nas pinturas da era Paleolítica… (in www.equisport.pt )

 

 

Hoje, sem nos alongarmos, vamos dar lugar de imediato ao poeta e amigo, Pedro Vasconcelos, que escreveu sobre esta raça que nos acompanhou desde sempre neste canto recôndito da Europa e do Mundo, e que partilhou todas as nossas venturas e desventuras, aquém e além-mar… Talvez sem a beleza do cavalo Lusitano, iguala-o no entanto em nobreza…

 

 

Se ser Nobre é ter
  Puro sangue nas veias
  Ou terra para correr

  É Nobre também quem pode sentir
  O vento afagar-lhe os cabelos
  Ou a liberdade de poder partir

  Nos olhos de um Garrano nasceu o Homem
  E na sua velha crista correu a história do tempo
  Nos seus cascos o sangue de guerras e conquistas
  Na sua pele a velha serra onde encontra o seu alento

  Pedro Vasconcelos

  2 poemas haiku

  Um cavalo ergue-se
  No cume do monte selvagem
  O tempo pára

  Ao longe
  Um cavalo selvagem
  O vento na sua crista

Pedro Vasconcelos

O Pedro é um colega meu, da Banca, que opera na complicada área da recuperação de crédito. Dedica-se nos seus tempos livres à escrita. É, na minha opinião, um artista e de quem, seguramente, se há-de ouvir falar… Obrigado Pedro pela tua participação.

 

(as fotos são minhas, todas tiradas no habitat do garrano)

Perafita, 23 de Junho de 2007

www.zacariasdamata.com

 

Posted by Zacarias Pereira da Mata at 13:03:17 | Permalink | Comments (5)

Friday, February 23, 2007

Jorge Henriques - Uma exposição que deu que falar

Embora tenha a noção da carga negativa do termo que me foi dado a conhecer pelos colegas mais velhos no início dos anos 70, sinceramente, pouco me importa que o Jorge Henriques tenha sido “salonista” ou não…

Aliás quando comecei a tentar trabalhar de forma mais séria a imagem em 1973/74, tudo era classificado e nada estava bem… Estavamos em tempo de mudança, em ebulição… O cinema português, a que estava particularmente atento, estava já em mudança há mais de uma década e, sinceramente desiludidos, alguns putos como eu, embora baixinho, iam gritando que o “rei ia nú”… De facto a grande produção das décadas de 30, 40 e 50 tinham acabado e eram considerados trabalhos vergonhosos enquanto que coisas quase sem sentido, “modernas”, que pouca gente via e que hoje ninguém vê,  eram consideradas obras primas, coisas que ninguém se atrevia a criticar com medo de serem carimbados de incultos ou de “cromagnons”…

Agora que eu e mais alguns putos continuavamos a gritar - embora baixinho Smile - que o rei ia nú, lá isso continuavamos… Alguns desses putos hoje estão na organização de eventos que nos honram, o “Fantas” por exemplo, ou a trabalhar na América nesta área muito competitiva, com algum sucesso…

Por isso pouco me importa que classifiquem o Jorge Henriques seja do que for, o que me interessa é o resultado…

E o resultado, aquele que eu pude ver já depois da sua morte numa exposição no Centro Português de Fotografia, foi uma coisa assombrosa… Sem que eu tenha acesso, como muitos de nós portugueses, por falta de dinheiro, aos grandes espaços de Nova York, vou aproveitando o pouco que temos e, do pouco que temos, isto foi do melhor que vi até hoje, pela qualidade do trabalho, pela qualidade das impressões e pela disposição e espaço nobre que ocupava…

Só posso dar os meus sinceros parabéns às minhas professoras e amigas, Siza e Maria do Carmo, por esta e outras mostras de grandes fotógrafos portugueses. No entanto, porque eu sei que me hão-de ler e porque nem tudo são flores, deixai que o puto irrequieto e que às vezes incomodava com perguntas e afirmações despropositadas e anacrónicas, agora quase com 50 anos, vos diga:

Não se compreende que durante estes já largos anos de actividade do Centro Português de Fotografia, não tenha havido uma única exposição de fotógrafos da nova vaga, contemporaneos e pós foto.pt…

Agora já uso óculos de lentes progressivas mas dá-me a impressão que o rei continua a ir nú… 

 

 

P.S.. Gostaria de vos mostrar algumas imagens deste grande fotógrafo português mas foi-me impossível encontrar algo acessível. Espero, no entanto, que este artigo vos provoque vontade de pesquizar e de saber um pouco mais… Posso sugerir que comecem pelo CPF… O tabalho deste homem, garanto-vos, é inspirador…

 

Estas duas não são do Jorge, são do Zacarias feitas num domingo de manhã…Wink

 

Perafita, 23 de Fevereiro de 2007

www.zacariasdamata.com 

 

 

Posted by Zacarias Pereira da Mata at 20:43:15 | Permalink | Comments (7)