Tuesday, June 12, 2007

Eterno

Gosto de macro!

Bem sei que o que se interpreta como a ”grande macro” é aquela fotografia do bicho perfeitamente congelado, de preferência sem desfoques e com um daqueles títulos latinos muito pomposos e complicados…

Às vezes quase que dá a impressão que o bicho teve que estar primeiro no frigorífico antes de ser fotografado numa sessão de estúdio… Ora, o melhor que conheço a este nível, porém, nem sempre é a fotografia 100% focada e isenta de movimentos…

… como em toda a Fotografia, também na macro tem que lá haver qualquer coisa mais, têm que ter luz e alma para que a imagem possa ascender ao estatuto de Fotografia (com “F” grande)…

E agora a estorinha sobre a foto que hoje se apresenta, com aqueles condimentos técnicos que - eu sei - a malta gosta:

Já eram nove horas da tardinha e o jantar esperava-me. Regressava para casa em passo acelerado embora ainda atento às plantas que grassam nas bermas do meu conhecido caminho de volta, na esperança de encontrar uma oportunidade de um último disparo que salvasse a sessão de fotografia daquele fim de tarde.

Do bicho que agora apresento, pouco mais sei que têm apenas uns milimetros e que olhava para sudoeste. Nem sei como é que o vi…

Com a luz já tão fraca, cautelarmente, sem perder tempo, aumentei a sensibilidade para 400 ISO, escancarei o diafragma da minha Sigma 150 macro e coloquei-me em posição de quase contra-luz.

Foi neste momento que ao focar pela primeira vez me apercebi que havia ali algo de intangível, quase irreal… Naqueles segundos que demoraram os 7 disparos a que recorri para conseguir um fotograma técnicamente comestível, i.e., que não estivesse totalmente desfocado ou tremido, ocorreu-me subitamente uma conversa tida há dias com os meus amigos fotógrafos Zé Marafona e Ricardo Araújo sobre o tempo. Foi apenas um ”flash” mas voltou-se-me a pôr essa eterna questão, debatida até à exaustão por artistas e cientistas, sobre a relatividade do tempo.

Como que ficou claro para mim ao ver o bicho naquela posição e com aquela luz que se pode viver uma eternidade num minuto…

Depois foi chegar a casa, aceitar o habitual sermão da Fernanda, minha companheira de sempre, por me ter atrasado para jantar. Ela não me vai perdoar por eu dizer isto, mas quase que não a ouvia de tão ansioso estar por me sentar à frente do computador para ver o que tinha feito… E o que fiz parece-me bem, confirmando a intuição no momento do disparo, como aliás já tinha acontecido noutra meia dúzia das minhas fotos que mais gosto,  que se conseguisse algo mínimamente focado e não demasiadamente tremido, então teria feito uma fotografia. Aos meus olhos, pelo meu gosto e pela minha sensibilidade, pelo que a imagem me diz, acho que consegui uma Fotografia. 

Porque eu sei que alguns dos fotógrafos mais novos gostam de saber um pouco mais, devo dizer que a edição foi feita quase exclusivamente  com o “revelador raw”. Aumentei ligeiramente os valores do “Shadow contrast”, “Hilight contrast” e saturação de cor e utilizei a ferramenta de redução de “hot pixel”, necessária quando se utiliza valores de ISO alto e condições de luz débeis.

A fotografia foi feita ontem  e resolvi mostrá-la quase em primeira mão ao meu amigo, colega, escritor e irmão de fotógrafo, Pedro Vasconcelos, que partilhando comigo a ideia de que havia ali algo, resolveu presentear-me com este poema que acho delicioso… Gostei tanto desta parceria que - assim o Pedro o queira - a retomaremos brevemente…

Ora vejam e ouçam esta canção do Eterno… 

 

 

 

Eterno,

O que não teve princípio e não há-de ter fim
  O que dura para sempre sendo o sempre o que dura em mim
  O que está fora do tempo e fora do devir
  O que foge no horizonte e nunca torna a vir.

  E o que é inalterável; enorme; desmedido e afamado?
  Também esse poderá ser o seu significado?

  O imortal e Pai Eterno ou Deus, Morte e sono enfermo
  Todo o espaço nunca medido entre céu, terra e inferno
  Ou toda a dor contida no luto de um coração materno
  Tudo isto é amor. Tudo isto é eterno.

 

 

Sobre o Dr. Pedro Vasconcelos e a sua escrita falaremos um pouco mais num outro artigo ainda em preparação, que envolve, como se espera num blog como este, fotografia.

 

 

 

Agradecendo toda a receptividade que o público em geral e os meus amigos em particular tem tido aos meus humildes artigos (receptividade que muito me envaidece), demonstrada quer pelo número de visitas quer pelos telefonemas inquirindo da razão de um período tão longo sem que o blog fosse refrescado, quero desde já dizer-vos que estão em preparação mais dois artigos, um sobre os garranos do Gerês e outro sobre a fotografia dos anos 50 (cf. prometido), este quase só com imagens digitalizadas dos anuários “Rollei” da época.

Perafita, 12 de Junho de 2007

www.zacariasdamata.com

 

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Sunday, January 7, 2007

Portfólio Corpo, do Zé Marafona

 

 

Não é, concerteza, uma visão do CORPO assexuada nem isenta de sensualidade, a do Zé… 

Aqui e ali há até uns laivos de erotismo…

Há também obras marcadamente controversas, e, isso, daquilo que eu penso da arte, é muito bom!…

No caso do artista José Marafona tenho dificuldade em falar de influências, embora, neste mundo globalizado , e depois de séculos de arte - elaborada como a entendemos hoje - cada vez menos se possa falar de “ilhas isoladas” de originalidade… Embora mais novo, foi contemporâneo de  Nobuyoshi Araki e Helmut Newton. Às vezes (sempre e só na minha opinião), aqui e ali, é inevitável notar-se uma ou outra aproximação a estes autores…

O Corpo, o Nú, da forma como o Zé os vê e representa, poderia ser uma das trilhas que poderia/deveria ter sido mais explorada, principalmente se tivesse ousado sair da labreguice portuguesa das ainda não muito distantes décadas de 70 e 80… Eu sei que a oportunidade surgiu através de convite formal para ir para outro país, mas o apego à família e a este cantinho florido à beira mar, se calhar,  não deixou que esta saída se concretizasse…

Tenho a certeza que, apesar de tudo, ainda não está acabado este portfólio… Wink … 

 

Mais imagens em www.josemarafona.com e, no disco do seu computador, mas essas temos que aguardar… Smile …

 

Perafita, 7 de Janeiro de 2007

www.zacariasdamata.com

 

 

   

 

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Friday, December 8, 2006

Nanã Sousa Dias, talento e sofisticação…

Quando voltei à fotografia em 2000, depois de um interregno de vinte anos, fi-lo, em boa hora, através do  www.fotopt.net, primeiro grande site Português e em Português de fotografia. Nele estavam alguns nomes da fotografia Portuguesa e Brasileira, daqueles que eu conhecia da leitura das revistas e jornais da especialidade dos anos setenta…

Houve dois fotógrafos, no entanto, que aos meus olhos se destacaram de imediato no meu primeiro ano de site, o meu amigo de longa data , José Marafona, sobre quem já publicamos um primeiro artigo com a ajuda de João Castela Cravo e, Nanã Sousa Dias, de quem nos haviamos de tornar mais tarde bons amigos… Nos anos subsequentes acabei por descobrir outros grandes fotógrafos, como o Alfredo Cunha que muito aprecio mas que nunca conheci pessoalmente, e muitos outros com quem fiz amizade ou, pelo menos, troquei umas opiniões e ideias… Não há, porém, como diz o povo, “amor como o primeiro”… …

Ora foi através deste site, i.e., através de um dos seus famosos almoços, o de Beja, que conheci pessoalmente o Nanã. Mantenho dele exactamente a mesma opinião que tive naquele primeiro contacto. Trata-se de um indivíduo brilhante, um artista, que aprecia e toca Jazz divinalmente, com muito bom gosto, educado, inteligente e com alguma sofisticação (características que, aliás, na minha opinião, estão bem reflectidas no seu trabalho fotográfico)  e que não têm lá grande conceito dos que têm a mania que sabem muito… Uma vez, em Castelo Branco, saboreando um bom naco de porco preto grelhado devidamente regado por um tinto fabuloso, disse-me: “Zacarias há quem me chame arrogante e se calhar até sou, mas sou-o porque não gosto dos medíocres, dos que sabem tudo e dos que não querem progredir…”

O Nanã, ao contrário do que se possa pensar, está sempre pronto a ajudar… Também não tem problemas em perguntar quando têm dúvidas e ouve com muita atenção aquilo que possamos trazer de novo… Ainda há não muito tempo no Estoril, em animado convívio comigo, com o Zé Marafona e com a Srª Arq. Olga Gouveia, pela noite dentro,  ao saborearmos os seus 30X40, quando o Zé Marafona, homem com alguma experiência em impressões tradicionais de preto e branco, lhe chamava a atenção para coisas que só quase eles conseguiam ver, humildemente, assumia os “erros” não tendo qualquer tipo de problema em dar a mão à palmatória…

Sinto-me previlegiado em ter amigos destes e compartilhar os seus êxitos. Vibrei com os  destaques no “Photo.net” do Nanã , vibrei quando em 2005 a revista americana “B and W Magazine”, talvez a melhor publicação de fotografia Fine Art do mundo, publicou um brilhante artigo com uma entrevista e fotografias do Nanã, fazendo-lhe justiça e, de alguma forma, equiparando-o aos mais importantes fotógrafos de Paisagem. Ainda hoje me regozijo com as várias notas e artigos que vão saindo aqui e ali na imprensa… 

E, depois, foi este homem, em conjunto com o Zé Marafona, que me introduziu no médio formato que agora estou a deixar dada a crescente qualidade do digital… É aqui que eu divirjo um pouco do Nanã, já que ele está a fazer um percurso que eu não faria (porque não quero e porque não posso) no sentido do filme grande formato, apesar de ter que lhe reconhecer os resultados irrepreensíveis…

Deixo agora algumas fotos que escolhi para introdução ao seu trabalho com a promessa de, oportunamente, voltar aos seus portfólios de forma individualizada e cuidada. 

 

 

Mais fotografias do Nanã em:

http://www.photo.net/photodb/member-photos?include=all&user_id=521294

 

 

 

Biografia de Nanã Sousa Dias:
Nasceu em Torres Vedras, em 1957. Fotógrafo, músico profissional e produtor discográfico. Começou a fotografar na adolescência, tendo abandonado cerca de 2 anos depois, devido à crise económica que se instalou no país, após a revolução de 1974.
Em 1997, decidiu retomar a actividade fotográfica. Montou um pequeno laboratório em casa e adquiriu uma Hasselblad dos anos 60, com a qual começou a praticar.
Começou, nessa altura, a assimilar tanta informação técnica e artística quanto era possível, através de livros, revistas, exposições e Internet.
Em 2000 entrou para o site “Fotografia em Português”, tendo recebido uma Menção Honrosa 15 dias depois e tendo ganho o galardão máximo do site, Autor do Mês, pouco depois. Foi, então, convidado a integrar o júri do site, tendo sido, também, um dos coordenadores do livro editado pelo site, que incluía algumas fotografias da sua autoria.
Tendo abordado vários temas, no início da sua actividade, concentra-se actualmente na fotografia de paisagem, retrato e nu em estúdio e fotografia urbana, maioritariamente, em preto e branco.
As suas influências são muitas, Ansel Adams, Edward Weston, Brett Weston, John Sexton, Henri Cartier- Bresson, Elliot Erwitt, Helmut Newton, Richard Avedon, Yousuf Karsh, Robert Mapplethorpe, Jeanloup Sieff, Arnold Newman, etc.
Seguidor do Sistema de Zonas, criado e desenvolvido por Ansel Adams e Edward Weston, imprime, em laboratório convencional, todos os seus trabalhos, sendo um amante da fotografia “Fine Art”, em médio e grande formato.
Iniciou, em 2003, um ciclo de Workshops de fotografia de Paisagem, Sistema de Zonas, Retrato, Laboratório e fotografia de Estúdio, tendo efectuado vários cursos, em diversas cidades. Além dos Workshops, lecciona cursos de fotografia particulares e em várias instituições.
Ao longo dos últimos 4 anos, tem participado em vários sites nos Estados Unidos, Brasil, Rússia, Dinamarca, Alemanha e Portugal, tendo recebido numerosos prémios e distinções. Actualmente, faz parte do júri de 2 sites interactivos, em Portugal e nos EUA.
Os seus trabalhos foram publicados em várias revistas nacionais e estrangeiras, bem como em livros técnicos, distribuídos em todo o mundo, por uma conceituada editora inglesa de livros e revistas de fotografia.
Participou em várias exposições colectivas e individuais tendo, neste momento, agendadas 3 exposições no Brasil e várias em Portugal.
Em 2005, a revista americana B and W Magazine, considerada a melhor publicação de fotografia Fine Art do mundo, publicou um artigo com uma entrevista e fotografias de Nanã Sousa Dias, colocando-o entre os mais importantes fotógrafos de Paisagem da actualidade.
Trabalhos publicados em revistas e jornais:
Super Foto Practica – (Portugal) 2000/2001/2003
1º de Janeiro – (Portugal) 2003
Egoísta – (Portugal) 2003
Fotografe Melhor – (Brasil) 2004
Elle – (Portugal) 2004
Egoísta – (Portugal) 2005
Fotoplus – (Portugal) 2005
Black and White Magazine – (USA) 2005
Livros:
Fotografia em Português - Portugal 2001
Outdoor Lighting Nudes – UK 2003
Camera Craft Nudes – UK 2003
Camera Craft Black and White – UK 2004
Guide to Outdoor Photography – UK 2004
Exposições:
Almada (Galeria Municipal) 2001
Almeirim (Galeria Municipal) 2003
Torres Vedras (Paços do Concelho) 2003
Castelo Branco (Galeria do IPJ) 2004
Torres Vedras (Cooperativa de Comunicação e Cultura) 2004
Porto de Mós (Ecoteca Municipal) 2004
Lisboa (Galeria do Sacramento) 2004
Figueira da Foz (Centro de Artes e Espectáculos) 2005
Espinho (Galeria do Casino Solverde) 2006
Workshops:
Torres Vedras (Paisagem) – 2003
Castelo Branco (Paisagem, Laboratório) – 2003
Braga (Paisagem) – 2004
Porto de Mós (Paisagem, Laboratório) – 2004
Caxias (grande formato) – 2004
Caxias (Retrato) – 2004
Matosinhos ( Paisagem) – 2005
Caxias (Paisagem) - 2005
Torres Vedras (Retrato) - 2005
Lisboa -( Paisagem) 2006
Porto - 2006 ( Paisagem)
Lisboa - ( Paisagem) 2006
Porto - 2006 (Retrato)

 

 

 

Perafita, 8 de Dezembro de 2006

Zacarias Pereira da Mata

 

www.zacariasdamata.com

 

 

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